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Tratamento do Diabetes Tipo 2: Uma Visão Detalhada dos Inibidores de SGLT2

Tratamento do Diabetes Tipo 2: Uma Visão Detalhada dos Inibidores de SGLT2

TL;DR — Resumo Rápido

  • Os inibidores de SGLT2 são remédios orais que fazem o rim eliminar glicose pela urina, baixando o açúcar no sangue.
  • Hoje são indicados precocemente quando há doença do coração ou dos rins — não só para controlar a glicemia.
  • Protegem coração e rins mesmo em quem não tem diabetes, segundo grandes estudos clínicos.
  • Os principais no Brasil são dapagliflozina, empagliflozina e canagliflozina; a dapagliflozina está no SUS.
  • Procure um endocrinologista antes de iniciar: há contraindicações e cuidados importantes (como a cetoacidose).

Nos últimos anos, poucas classes de medicamentos mudaram tanto o tratamento do diabetes tipo 2 quanto os inibidores de SGLT2. O que começou como uma forma engenhosa de baixar a glicose acabou se revelando uma das ferramentas mais importantes que temos hoje para proteger o coração e os rins. Se você ou alguém próximo recebeu a indicação de um desses remédios — ou apenas viu os nomes Forxiga, Jardiance ou Invokana na receita —, este guia foi escrito para esclarecer, em linguagem direta, como eles funcionam e em quem fazem mais sentido.

Como endocrinologista, vejo no consultório uma dúvida recorrente: "esse remédio é só para baixar o açúcar?" A resposta curta é não. E entender o porquê pode mudar a forma como você enxerga o próprio tratamento.

Definição rápida: Inibidores de SGLT2 são medicamentos que bloqueiam uma proteína no rim responsável por reabsorver glicose, fazendo com que o açúcar excedente seja eliminado pela urina.

O que Você Precisa Saber

Os inibidores de SGLT2 agem no rim, não no pâncreas. Em vez de estimular insulina, eles bloqueiam a reabsorção de glicose pelos rins, eliminando o excesso de açúcar pela urina. Por isso raramente causam hipoglicemia quando usados sozinhos.

O benefício vai além da glicemia. Grandes estudos mostraram redução de internações por insuficiência cardíaca, proteção contra a progressão da doença renal e queda da mortalidade cardiovascular — efeitos que hoje são considerados centrais, e não secundários.

Eles deixaram de ser apenas "segunda linha". Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da American Diabetes Association (ADA) recomendam iniciá-los precocemente em pacientes com doença cardiovascular, insuficiência cardíaca ou doença renal, independentemente do valor da hemoglobina glicada.

Têm riscos específicos que exigem orientação. Infecções genitais, desidratação e, raramente, uma forma perigosa de cetoacidose com glicemia quase normal são situações que o paciente precisa saber reconhecer.

O Mecanismo Inovador por Trás dos Inibidores de SGLT2

Operando por um mecanismo inteligente, os inibidores de SGLT2 interferem na reabsorção renal de glicose. Em condições normais, o rim filtra glicose e quase toda ela é reaproveitada pelo organismo por meio de transportadores chamados SGLT2. Ao bloquear esses transportadores, o medicamento faz com que parte da glicose seja eliminada pela urina — um processo chamado glicosúria —, reduzindo os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes tipo 2.

Definição rápida: Glicosúria é a presença de glicose na urina; com os iSGLT2, ela é provocada de forma terapêutica e controlada.

A eficácia em diminuir tanto a glicemia quanto a hemoglobina glicada (HbA1c) é significativa, embora dependa da quantidade de glicose filtrada e da diurese provocada pelo próprio medicamento. Diferentemente de outros antidiabéticos, esses inibidores raramente induzem hipoglicemia quando utilizados isoladamente e ainda contribuem para uma modesta redução da pressão arterial e do peso corporal — efeitos bem-vindos em quem convive com diabetes e sobrepeso.

Com o tempo, percebeu-se que o benefício não se explicava só pela perda de açúcar. Ao eliminar glicose e sódio, esses remédios reduzem a sobrecarga sobre o coração e os rins, melhoram a pressão dentro do glomérulo (a "unidade filtradora" renal) e diminuem a inflamação e o estresse sobre esses órgãos. É esse efeito cardiorrenal que transformou a classe.

Os inibidores de SGLT2 são medicamentos orais para diabetes tipo 2 que reduzem a glicemia ao bloquear a reabsorção de glicose nos rins, aumentando sua eliminação pela urina, com benefícios adicionais comprovados para o coração e os rins.

Quando Considerar os Inibidores de SGLT2

Aqui está a mudança mais importante em relação ao que se ensinava há alguns anos. Por muito tempo, a regra era simples: metformina para todos, e só depois pensar em outras classes. Isso mudou.

As diretrizes mais recentes da SBD (2024/2025) e do ADA (Standards of Care 2025/2026) recomendam que a escolha inicial seja individualizada, considerando três pilares: risco cardiovascular, índice de massa corporal e nível de HbA1c. Para pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica, insuficiência cardíaca ou doença renal do diabetes, os inibidores de SGLT2 passaram a ser indicados precocemente e independentemente do controle glicêmico, justamente por seus benefícios de proteção de órgãos.

Isso não significa que a metformina perdeu o lugar — ela segue importante e frequentemente é associada ao iSGLT2. Significa apenas que o iSGLT2 deixou de "esperar a sua vez" em quem tem risco cardiorrenal.

No Brasil, os principais representantes da classe são a canagliflozina (Invokana), a dapagliflozina (Forxiga) e a empagliflozina (Jardiance). A dapagliflozina, na dose de 10 mg/dia, está disponível no SUS para intensificação do tratamento do diabetes e também para insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Em adultos com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular, insuficiência cardíaca ou doença renal, as diretrizes da SBD e do ADA recomendam incluir um inibidor de SGLT2 precocemente no tratamento — independentemente da hemoglobina glicada — para reduzir eventos cardiovasculares e proteger a função renal.

Proteção do coração e dos rins: o que dizem os estudos

A reviravolta veio dos grandes ensaios clínicos. O estudo EMPA-REG OUTCOME mostrou que a empagliflozina reduziu desfechos cardiovasculares em pacientes de alto risco. Em seguida, CANVAS (canagliflozina) e DECLARE-TIMI 58 (dapagliflozina) reforçaram a redução de internações por insuficiência cardíaca.

Na frente renal, os estudos CREDENCE, DAPA-CKD e EMPA-KIDNEY demonstraram que esses medicamentos retardam a progressão da doença renal e reduzem a necessidade de diálise. Por isso, a SBD e a diretriz internacional KDIGO 2024 passaram a recomendar o iSGLT2 sempre que houver redução da função renal (TFG abaixo de 60) ou presença de albuminúria, mesmo que a glicemia esteja controlada.

Definição rápida: Albuminúria é a perda de proteína (albumina) pela urina; é um sinal precoce de que os rins estão sendo afetados pelo diabetes.

Mais notável ainda: dapagliflozina e empagliflozina demonstraram benefício em insuficiência cardíaca e doença renal crônica mesmo em pessoas sem diabetes (estudos DAPA-HF, DELIVER, DAPA-CKD e EMPA-KIDNEY). Ou seja, a classe deixou de ser "só um remédio de diabetes".

Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025), os inibidores de SGLT2 reduzem cerca de 10% os eventos cardiovasculares maiores em pessoas com diabetes tipo 2 de alto risco, com benefício adicional na redução de hospitalizações por insuficiência cardíaca.

Configurações Terapêuticas e Precauções

A indicação desses medicamentos se consolida em cenários específicos, endossados por ensaios clínicos randomizados: pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica comprovada, insuficiência cardíaca, necessidade de proteção renal e como adjuvante a outros antidiabéticos orais ou à insulina quando o controle glicêmico não é atingido.

Por outro lado, há limites claros. Os inibidores de SGLT2 são contraindicados no diabetes tipo 1 e exigem cautela em quem tem histórico de cetoacidose diabética. Entre os efeitos adversos mais comuns estão as infecções geniturinárias (especialmente fúngicas, como a candidíase) e a desidratação leve, sobretudo em quem já usa diuréticos.

Dois pontos de segurança merecem atenção especial, porque podem passar despercebidos:

  • Cetoacidose euglicêmica: uma forma de cetoacidose que pode ocorrer mesmo com a glicemia próxima do normal. Sintomas como náusea, vômitos, dor abdominal e falta de ar exigem avaliação médica imediata.
  • Gangrena de Fournier: uma infecção rara, porém grave, da região genital e perineal. Dor, vermelhidão e inchaço nessa área são sinais de alerta.

Por isso vale a chamada "regra dos dias de doença": em casos de infecção aguda, jejum prolongado, vômitos ou antes de cirurgias, o medicamento costuma ser temporariamente suspenso, sempre com orientação médica.

Um esclarecimento importante: o aumento de risco de amputações e fraturas foi observado principalmente com a canagliflozina no estudo CANVAS. Estudos posteriores, como o CREDENCE, não confirmaram esse sinal de forma consistente, e a percepção de risco foi revista. 

Posologia e Ajustes de Dose

Os inibidores de SGLT2 têm menos benefício glicêmico quando a função renal já está bastante reduzida no início do tratamento — embora o benefício de proteção renal e cardíaca se mantenha. Para o objetivo de controle da hiperglicemia, em geral não se inicia o tratamento com eGFR muito baixo. Já para proteção cardiorrenal, estudos como o EMPA-KIDNEY incluíram pacientes com eGFR a partir de cerca de 20 mL/min/1,73 m², e as diretrizes atuais permitem iniciar em faixas mais baixas do que se recomendava no passado.

Após o início, a decisão de aumentar a dose depende da tolerância, dos efeitos adversos e da avaliação glicêmica.

Canagliflozina (Invokana): tomada por via oral antes da primeira refeição do dia. Dose inicial de 100 mg/dia, podendo subir para 300 mg/dia. Em insuficiência renal moderada, a dose não deve exceder 100 mg/dia. Não recomendada na insuficiência hepática grave.

Dapagliflozina (Forxiga): pode ser tomada a qualquer hora, com ou sem alimentos. Em função hepática gravemente reduzida, recomenda-se iniciar com 5 mg. Disponível no SUS na dose de 10 mg/dia.

Empagliflozina (Jardiance): tomada por via oral, uma vez ao dia, pela manhã, com ou sem alimentos. Dose inicial de 10 mg/dia, podendo subir para 25 mg/dia. Pode ser usada na insuficiência hepática.

Estas informações são educativas. A dose, a escolha do medicamento e os ajustes para a sua função renal devem ser definidos individualmente pelo seu médico.

Principais Pontos

  • Os inibidores de SGLT2 baixam a glicemia eliminando açúcar pela urina, agindo no rim e não no pâncreas.
  • Raramente causam hipoglicemia quando usados sozinhos e ajudam a reduzir peso e pressão arterial.
  • Protegem o coração e os rins — hoje esse é o principal motivo de indicação em muitos pacientes.
  • Deixaram de ser segunda linha: são indicados precocemente em quem tem doença cardiovascular, insuficiência cardíaca ou doença renal.
  • Funcionam mesmo em pessoas sem diabetes nos contextos de insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
  • São contraindicados no diabetes tipo 1 e exigem cuidado com cetoacidose euglicêmica e infecções genitais.
  • No Brasil, os principais são dapagliflozina, empagliflozina e canagliflozina; a dapagliflozina está no SUS.
  • O tratamento deve ser sempre individualizado por um endocrinologista.

Erros Comuns

Erro: achar que serve só para baixar o açúcar. Muitos pacientes acreditam que é "mais um remédio de glicose". Na verdade, o maior valor dessa classe hoje está na proteção do coração e dos rins, comprovada em grandes estudos — por isso pode ser indicada mesmo com a glicemia razoavelmente controlada.

Erro: não reconhecer a cetoacidose euglicêmica. Como a glicemia pode estar quase normal, alguns pacientes ignoram sintomas como náuseas, dor abdominal e falta de ar. Essa forma de cetoacidose é uma emergência e exige avaliação médica imediata.

Erro: parar por conta própria ao notar mais vontade de urinar. Urinar um pouco mais no início é esperado, porque o remédio elimina glicose pela urina. Interromper sem orientação pode comprometer a proteção cardíaca e renal. Converse com seu médico antes de suspender.

Erro: não suspender o remédio em dias de doença. Em infecções, vômitos, jejum prolongado ou antes de cirurgias, o iSGLT2 geralmente deve ser pausado para reduzir o risco de cetoacidose. Combine essa "regra dos dias de doença" com seu médico.

Erro: confundir os inibidores de SGLT2 com os "remédios de emagrecer". Os iSGLT2 promovem perda de peso modesta, mas não são medicamentos para obesidade. Quem busca esse efeito costuma se beneficiar mais de outras classes, como os agonistas de GLP-1 — uma decisão que deve ser individualizada.

Conclusão: Uma Terapia Personalizada é Essencial

Embora os inibidores de SGLT2 marquem um progresso considerável no tratamento do diabetes tipo 2 — e hoje também da insuficiência cardíaca e da doença renal —, é imperativo que o tratamento seja individualizado, respeitando as características de cada pessoa, suas preferências e os aspectos financeiros envolvidos. O equilíbrio entre benefícios e riscos continua sendo objeto de pesquisa ativa, o que reforça a necessidade de avaliação clínica criteriosa.

A boa notícia é que estamos diante de uma das classes mais transformadoras das últimas décadas. A melhor forma de saber se ela faz sentido para você é conversar com um endocrinologista, que avaliará sua função renal, seu risco cardiovascular e seu perfil como um todo.

Se você tem diabetes tipo 2 e quer entender qual é o tratamento mais adequado ao seu caso, agende uma consulta presencial (Campo Belo ou Albert Einstein) ou por telemedicina. Ajustar o tratamento com acompanhamento especializado é o caminho mais seguro.

Perguntas Frequentes

1. O que são inibidores de SGLT2? São medicamentos orais usados no diabetes tipo 2 que fazem o rim eliminar glicose pela urina, reduzindo o açúcar no sangue. Além disso, protegem o coração e os rins, o que os tornou uma das classes mais importantes do tratamento atual.

2. Os inibidores de SGLT2 emagrecem? Eles promovem uma perda de peso modesta, porque o organismo elimina calorias na forma de glicose pela urina. No entanto, não são remédios para obesidade. Quem busca emagrecimento expressivo geralmente se beneficia mais de outras classes, em decisão individualizada com o médico.

3. Qual a diferença entre os inibidores de SGLT2 e a metformina? A metformina age reduzindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a resposta à insulina. Os inibidores de SGLT2 atuam nos rins, eliminando glicose pela urina, e oferecem proteção cardíaca e renal. Muitas vezes os dois são usados juntos.

4. Inibidor de SGLT2 causa hipoglicemia? Quando usados isoladamente, raramente causam hipoglicemia, porque não forçam a liberação de insulina. O risco aumenta se forem combinados com insulina ou sulfonilureias. Por isso a combinação de medicamentos deve ser ajustada pelo médico.

5. Quem não pode usar inibidores de SGLT2? São contraindicados no diabetes tipo 1 e exigem cautela em quem tem histórico de cetoacidose. Também há ajustes conforme a função renal e hepática. A avaliação médica é essencial antes de iniciar.

6. Esses remédios servem para quem não tem diabetes? Sim. Dapagliflozina e empagliflozina mostraram benefício em insuficiência cardíaca e em doença renal crônica mesmo em pessoas sem diabetes, em grandes estudos clínicos. Nesses casos, a indicação é feita por cardiologista ou nefrologista.

7. A dapagliflozina está disponível no SUS? Sim. A dapagliflozina, na dose de 10 mg/dia, foi incorporada ao SUS para intensificação do tratamento do diabetes tipo 2 e também para insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, conforme critérios estabelecidos.

8. Quando devo procurar um endocrinologista para falar sobre esses medicamentos? Se você tem diabetes tipo 2, especialmente associado a problemas de coração ou rins, vale conversar com um endocrinologista para avaliar se um inibidor de SGLT2 é indicado. O especialista define o medicamento, a dose e o acompanhamento adequados ao seu caso.

Este artigo foi escrito pelo Dr. Rodrigo Bomeny, endocrinologista e metabologista formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), com residência no Hospital das Clínicas da USP e aproximadamente 20 anos de experiência clínica em diabetes, obesidade e doenças metabólicas. As recomendações baseiam-se nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), American Diabetes Association (ADA), KDIGO e Endocrine Society. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica individualizada.

Diabetes LADA: o que você precisa saber (diagnóstico, anticorpos, prevalência, genética e tratamento)

O universo do diabetes é complexo e diversificado, com vários subtipos que vão além do bem conhecido diabetes tipo 1 e tipo 2. Entre eles está o Latent Autoimmune Diabetes in Adults (LADA), uma condição que combina características de ambos os tipos clássicos, representando um desafio único para o diagnóstico e o tratamento.

Neste artigo, você vai entender o que é o LADA, como é diagnosticado, sua prevalência, a genética associada e a importância de reconhecer as formas não classificadas de diabetes autoimune em adultos.

O que é diabetes LADA (também chamado de “diabetes tipo 1.5”)

O diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA), também conhecido como diabetes tipo 1.5, é uma forma de diabetes em que aspectos tanto do tipo 1 quanto do tipo 2 estão presentes. Pacientes com LADA frequentemente são diagnosticados após a adolescência, geralmente a partir dos 30 anos, e têm características clínicas que podem sobrepor-se tanto ao diabetes tipo 1 quanto ao tipo 2.

Uma característica central: apesar da presença de autoimunidade, muitos pacientes mantêm a secreção de insulina por um período prolongado, sendo considerado, por isso, uma variante de progressão lenta do diabetes tipo 1.

Diagnóstico de LADA: uma linha tênue entre o tipo 1 e o tipo 2

O diagnóstico de LADA é complexo. Frequentemente confundido com o diabetes tipo 2 devido ao início na idade adulta, o LADA se manifesta em indivíduos que são positivos para pelo menos um autoanticorpo, mas que mantêm a secreção de insulina por um período prolongado.

Os pacientes com LADA formam um grupo heterogêneo, com diferenças importantes em:

  • títulos de anticorpos
  • índice de massa corporal (IMC)
  • taxas de progressão para dependência de insulina

Isso explica por que duas pessoas com “LADA” podem ter evoluções bem diferentes.

Quadro clínico do diabetes LADA

Idade de início

Geralmente ocorre em adultos com mais de 30 anos.

Autoimunidade

Presença de anticorpos circulantes contra células das ilhotas pancreáticas, como:

  • anticorpos anti-GAD (descarboxilase do ácido glutâmico)
  • anti-IA2 (tirosina fosfatase)
  • entre outros

Progressão para dependência de insulina

Embora possam inicialmente responder a medicamentos orais usados no diabetes tipo 2, muitos pacientes com LADA progridem para a dependência de insulina dentro de alguns anos após o diagnóstico devido à destruição autoimune das células beta do pâncreas.

Sintomas

Podem ser similares aos do diabetes tipo 2, incluindo:

  • sede excessiva (polidipsia)
  • fome excessiva (polifagia)
  • perda de peso
  • fadiga
  • visão turva

No entanto, os sintomas podem se desenvolver mais rapidamente do que no diabetes tipo 2.

Índice de massa corporal (IMC)

Pacientes com LADA frequentemente têm IMC normal ou estão levemente acima do peso, ao contrário de muitos pacientes com diabetes tipo 2, que frequentemente têm sobrepeso ou obesidade.

Quando suspeitar de diabetes LADA

É razoável suspeitar de LADA em algumas situações típicas:

  • Adultos recentemente diagnosticados com “diabetes tipo 2”, mas sem características típicas de resistência à insulina, como obesidade central ou síndrome metabólica
  • Pessoas que não respondem como esperado a medicamentos orais para diabetes tipo 2, ou cujo controle glicêmico se deteriora rapidamente
  • Histórico familiar de doenças autoimunes
  • Presença de outros distúrbios autoimunes, como doença da tireoide autoimune, doença celíaca ou vitiligo
  • Perda de peso inexplicada ou outros sintomas típicos do diabetes tipo 1 em um adulto
  • Falha em alcançar o controle glicêmico com o tratamento padrão para diabetes tipo 2

Em suspeita de LADA, é apropriado testar a presença de autoanticorpos autoimunes característicos. Se LADA for diagnosticado, a gestão incluirá monitoramento próximo da função das células beta e, muitas vezes, a transição para a terapia com insulina mais cedo do que no diabetes tipo 2.

Autoanticorpos e especificidade no diagnóstico de LADA

A presença de autoanticorpos é central no diagnóstico de LADA. O estudo Action LADA mostrou que aproximadamente 90% das pessoas com LADA com autoanticorpos associados ao diabetes são positivos para GADA.

O que os níveis de GADA podem sugerir

Pacientes com altos níveis de GADA tendem a apresentar um fenótipo semelhante ao diabetes tipo 1, com:

  • menor IMC
  • menor prevalência de síndrome metabólica

Além disso, o UKPDS e outros estudos encontraram que altos níveis de GADA estavam associados a um risco aumentado de necessidade de insulina.

Um ponto importante: falso-positivo e sobreposição com diabetes tipo 2

É importante destacar que uma fração dos casos positivos para autoanticorpos pode ter autoanticorpos falso-positivos, seja devido à variação do ensaio ou ao poder preditivo limitado para a dependência de insulina.

Aumentar a especificidade do ensaio de autoanticorpos e enriquecer a população em estudo para LADA aumenta o valor preditivo positivo. Além disso, alguns pacientes com GADA terão diabetes tipo 2 e devem ser tratados como tal — um dilema que é contornado, em parte, dando mais ênfase aos níveis de peptídeo C.

Outros autoanticorpos e epítopos (camada mais detalhada)

Outros autoanticorpos têm como alvo diferentes epítopos de:

  • IA-2 (IA-2A)
  • insulina (IAA)
  • ZnT8A (transportador de zinco isoforma 8 específico das ilhotas)
  • tetraspanina 7

Enquanto outros epítopos de GADA são menos frequentes em LADA.

Estudos recentes descobriram que indivíduos com LADA positivos para GADA truncado no N-terminal têm um fenótipo clínico mais semelhante ao diabetes tipo 1 clássico e uma razão de chances maior para progressão precoce para a terapia com insulina em comparação com pacientes positivos para GADA de comprimento total. Isso pode ter implicações práticas importantes para a previsão do risco de terapia com insulina.

O autoanticorpo que reconhece o epítopo IA-2IC é mais utilizado para o diagnóstico de diabetes tipo 1 de início na juventude e identifica LADA com uma sensibilidade e especificidade de aproximadamente 30% e 100%, respectivamente. Autoanticorpos contra o fragmento IA-2 mostraram ser um marcador confiável de LADA com sensibilidade e especificidade de 40% e 97%, respectivamente.

Progressão para insulina: o que os estudos mostram

A positividade para autoanticorpos associados ao diabetes é preditiva tanto para a progressão para diabetes não dependente de insulina quanto, especialmente, para a dependência futura de insulina após o diagnóstico de diabetes.

Por exemplo, o UKPDS descobriu que pelo menos 50% dos pacientes com LADA requeriam tratamento com insulina 6 anos após o diagnóstico. No entanto, nem todos os pacientes no UKPDS e em outros estudos precisaram de insulina, mesmo após 10 anos do diagnóstico.

Risco aumentado de outras doenças autoimunes

Uma característica importante do LADA é o risco aumentado de outros autoanticorpos específicos de órgãos e doenças autoimunes.

  • GADA são preditivos para autoimunidade tireoidiana
  • autoanticorpos IA-2 conferem um alto risco de autoimunidade associada à doença celíaca na China

Além disso, no LADA, altos níveis de GADA estão fortemente associados à autoimunidade tireoidiana e inversamente relacionados ao perfil de citocinas séricas.

Prevalência e genética do LADA

Estudos mais antigos em populações predominantemente escandinavas, que têm uma prevalência relativamente alta de diabetes tipo 1, sugeriram que até 7,5 a 10% dos adultos com diabetes tipo 2 aparente podem ter autoanticorpos circulantes dirigidos contra antígenos das células beta pancreáticas (ICA ou GAD65). No entanto, a prevalência de LADA é menor na população mais diversificada dos Estados Unidos.

Em análises genotípicas, o LADA compartilha características genéticas tanto do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2. Por exemplo, uma análise mostrou que, em relação a indivíduos saudáveis, pacientes com LADA compartilharam:

  • uma frequência aumentada do genótipo HLA-DQB1 com pacientes com diabetes tipo 1
  • e uma variante no gene do fator de transcrição 7-like 2 (TCF7L2) com pacientes com diabetes tipo 2

Formas não classificadas de diabetes autoimune em adultos

A definição de LADA é baseada na presença de autoanticorpos associados ao diabetes tipo 1 em circulação em adultos.

Isso não inclui pacientes adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 que apresentam autoimunidade das ilhotas marcada por:

  • autoanticorpos das ilhotas não associados ao diabetes tipo 1
    ou por
  • biomarcadores autoimunes celulares (por exemplo, células T) em vez de biomarcadores humorais (autoanticorpos)

Há evidências crescentes de que uma proporção substancial de pacientes com um fenótipo aparente de diabetes tipo 2 tem autoimunidade mediada por células T que contribui para a disfunção progressiva das células beta e a secreção defeituosa de insulina. Atualmente, essa forma de diabetes autoimune permanece não classificada, em parte porque testes clínicos padronizados para autoimunidade das ilhotas mediada por células T não estão amplamente disponíveis.

Monitoramento e tratamento do LADA

Identificar pacientes com LADA é crucial para:

  • estabelecer expectativas para o curso da doença
  • informar estratégias de monitoramento e gestão

A presença e o grau de elevação de anticorpos anti-GAD ou anti-ICA podem ajudar a prever:

  • progressão acelerada da doença
  • necessidade mais precoce de terapia com insulina
  • respostas subterapêuticas a medicamentos hipoglicemiantes orais
  • maior risco de cetoacidose

Com o entendimento adequado de sua complexidade e com uma abordagem de gestão individualizada, pacientes com LADA podem ter um manejo mais eficaz de sua condição e uma melhor qualidade de vida.

Converse com o seu endocrinologista especialista em diabetes para realizar o correto diagnóstico e tratamento.

O que o paciente sente quando a "diabetes está alta?

O que é Diabetes?

Diabetes mellitus, comumente referida apenas como diabetes, é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por um alto nível de glicose no sangue (hiperglicemia) devido a defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que regula os níveis de glicose no sangue permitindo que as células do corpo a utilizem como fonte de energia.

Existem vários tipos principais de diabetes:

Diabetes Tipo 1: É uma doença autoimune onde o sistema imunológico ataca e destrói as células beta do pâncreas que produzem insulina. Sem insulina suficiente, a glicose fica no sangue em vez de ser usada como energia. As pessoas com diabetes tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina para sobreviver.

Diabetes Tipo 2: É a forma mais comum de diabetes e está fortemente ligada à obesidade. Neste caso, o corpo não usa a insulina de forma eficaz (resistência à insulina) e, com o tempo, não produz insulina suficiente. Inicialmente, pode ser gerido com mudanças de estilo de vida e medicamentos, mas com o tempo pode requerer administração de insulina.

Diabetes Gestacional: Ocorre em algumas mulheres durante a gravidez. Normalmente, resolve-se após o parto, mas aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde na vida.

Outros Tipos Específicos: Incluem uma variedade de condições como aquelas causadas por defeitos genéticos das células beta, defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas exócrino e induzidas por drogas ou produtos químicos.

Como é feito o diagnóstico do diabetes?

O diagnóstico do diabetes é feito através de testes de sangue que medem a glicose no sangue. Há vários tipos de exames utilizados para diagnosticar e monitorar a diabetes:

Teste de Glicemia de Jejum (GJ): Mede o nível de glicose no sangue após um jejum de pelo menos 8 horas. Um resultado igual ou superior a 126 mg/dL (miligramas por decilitro) em duas ocasiões diferentes indica diabetes.

Teste de Tolerância à Glicose Oral (TTGO): Após o jejum e a medição inicial da glicemia, uma solução de glicose é bebida e os níveis de glicose no sangue são testados várias vezes ao longo de duas horas. Um nível de glicose no sangue superior a 200 mg/dL após 2 horas sugere diabetes.

Teste Aleatório de Glicemia: Um nível de glicemia superior a 200 mg/dL em uma amostra aleatória de sangue, junto com a presença de sintomas de diabetes, pode indicar diabetes, mas geralmente outros testes são necessários para confirmar o diagnóstico.

Hemoglobina Glicada (A1C): Este teste reflete a média dos níveis de glicose no sangue nos últimos 2 a 3 meses. Um resultado de A1C de 6.5% ou superior em duas ocasiões separadas é considerado diagnóstico de diabetes.

Além dos testes de sangue, os profissionais de saúde também levam em consideração os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, como sede excessiva, urinação frequente, fadiga e perda de peso inexplicada, especialmente para o diagnóstico de diabetes tipo 1.

O que o paciente sente quando a diabetes está alta?

A "diabetes alta", conhecida como hiperglicemia, pode causar uma variedade de sintomas. Quando os níveis de glicose (açúcar) no sangue estão elevados, uma pessoa pode apresentar:

  • Sede excessiva (polidipsia)
  • Urinação frequente (poliúria)
  • Fome aumentada (polifagia), em alguns casos
  • Visão embaçada
  • Fadiga e fraqueza
  • Dor de cabeça
  • Dificuldade de concentração
  • Perda de peso (em diabetes tipo 1, principalmente)
  • Náuseas, possivelmente vômito
  • Pele seca e coceira
  • Infecções frequentes, como candidíase ou infecções do trato urinário

Em casos de hiperglicemia muito grave ou prolongada, podem ocorrer complicações mais sérias, como a cetoacidose diabética, que é mais comum no diabetes tipo 1, e o estado hiperglicêmico hiperosmolar, mais comum no diabetes tipo 2.

Estas condições são emergências médicas e podem apresentar sintomas como:

  • Respiração rápida e profunda
  • Hálito com odor frutado (no caso de cetoacidose)
  • Confusão mental ou dificuldade em despertar
  • Desidratação severa
  • Perda de consciência

É importante notar que algumas pessoas, especialmente aquelas com diabetes tipo 2 ou que já convivem com a condição por muitos anos, podem não sentir sintomas imediatos ou óbvios de hiperglicemia, o que torna o monitoramento regular dos níveis de glicose ainda mais essencial.

Se alguém com diabetes apresenta quaisquer sintomas de hiperglicemia, é importante verificar os níveis de açúcar no sangue e seguir o plano de tratamento recomendado pelo profissional de saúde, que pode incluir ajustes na dieta, atividade física e medicamentos. Se os sintomas forem graves ou não melhorarem com medidas iniciais, é crucial buscar atendimento médico imediatamente.

Converse com o seu médico endocrinologista especialista em Diabetes para ajustar o seu tratamento.

A cirurgia bariátrica e seu impacto na prevenção do câncer em pacientes com obesidade

A obesidade é uma condição de saúde pública que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Além dos problemas de saúde mais comumente associados à obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas, estudos recentes mostraram que a obesidade também está relacionada a um risco aumentado de desenvolver diversos tipos de câncer. Um dos métodos mais eficazes para perda de peso em pacientes com obesidade é a cirurgia bariátrica, que tem se mostrado eficaz na redução do risco de câncer em pacientes obesos. Vamos explorar mais sobre essa relação e como a perda de peso pode impactar na prevenção do câncer.

A Relação entre Obesidade e Câncer

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. Indivíduos com obesidade têm um risco aumentado de desenvolver câncer de mama, cólon, próstata, útero, ovário, entre outros. Estudos mostram que o excesso de gordura no corpo pode levar a inflamação crônica, o que pode, por sua vez, aumentar o risco de desenvolvimento de câncer. Além disso, a obesidade pode aumentar os níveis de hormônios no corpo, como estrogênio e insulina, que estão relacionados ao desenvolvimento de câncer.

A Cirurgia Bariátrica como Método de Prevenção do Câncer

A cirurgia bariátrica é um procedimento realizado em pacientes obesos que não conseguiram perder peso através de métodos convencionais, como dieta, exercício e medicamentos. O procedimento envolve a redução do tamanho do estômago ou a alteração do trato digestivo para limitar a quantidade de comida que uma pessoa pode comer. Diversos estudos têm mostrado que a cirurgia bariátrica é eficaz na perda de peso a longo prazo e também está relacionada a uma redução significativa no risco de desenvolver câncer.

Um estudo de coorte pareado com acompanhamento a longo prazo mostrou que a cirurgia bariátrica estava associada a uma redução significativa no risco de câncer associado à obesidade, todos os tipos de câncer invasivo e mortalidade relacionada ao câncer. Os mecanismos responsáveis por essa redução do risco de câncer ainda não são completamente compreendidos, mas acredita-se que a perda de peso pode ajudar a reduzir a inflamação crônica, os níveis de hormônios e a resistência à insulina, que são todos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

Entre todos os tipos de câncer, o câncer de endométrio tem a associação mais forte com a obesidade. O estudo constatou que a cirurgia bariátrica estava associada a uma redução significativa no risco de câncer de endométrio. Além disso, outros estudos mostraram que a cirurgia bariátrica pode estar associada a uma redução no risco de câncer de mama, cólon, próstata, entre outros.

O Impacto da Perda de Peso na Prevenção do Câncer

A perda de peso é um dos principais benefícios da cirurgia bariátrica e pode ter um impacto significativo na prevenção do câncer. Estudos mostram que a perda de peso está associada a uma redução no risco de câncer, especialmente em pacientes obesos. Isso é especialmente verdadeiro para cânceres relacionados à obesidade, como o câncer de endométrio.

A perda de peso após a cirurgia bariátrica também pode ter um impacto positivo em outros fatores de risco para o câncer, como a inflamação crônica e os níveis de hormônios. Além disso, a cirurgia bariátrica pode ajudar a melhorar a qualidade de vida do paciente e reduzir o risco de outras doenças relacionadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas.

Conclusão

A cirurgia bariátrica é um método eficaz para perda de peso em pacientes com obesidade e pode ter um impacto significativo na prevenção do câncer. Os mecanismos responsáveis pela redução do risco de câncer após a cirurgia bariátrica ainda não são completamente compreendidos, mas acredita-se que a perda de peso pode ajudar a reduzir a inflamação crônica, os níveis de hormônios e a resistência à insulina, que são todos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. Além disso, a cirurgia bariátrica pode estar associada a uma redução no risco de câncer de endométrio, câncer de mama, câncer de cólon, câncer de próstata, entre outros. Portanto, a cirurgia bariátrica pode ser uma opção viável para pacientes com obesidade que buscam reduzir o risco de câncer e melhorar a qualidade de vida.

Association of Bariatric Surgery With Cancer Risk and Mortality in Adults With Obesity JAMA. 2022; doi:10.1001/jama.2022.9009

Como evitar o efeito sanfona?

Você sabia que o efeito sanfona é um problema comum em pessoas com obesidade? Muitas vezes, a frustração e a culpa geradas por esse ciclo vicioso impedem as pessoas de tentarem emagrecer novamente.

No entanto, é possível superar o efeito sanfona com o conhecimento correto, novas estratégias baseadas nas últimas evidências científicas, e apoio de um grupo. É importante ter conhecimento correto e um passo a passo simples e prático para alcançar o sucesso na perda de peso.

Imagine como seria se livrar do efeito sanfona e finalmente alcançar o seu peso ideal. Você se sentiria mais confiante, saudável e feliz consigo mesmo. Entenda nesse texto os motivos e principais ações para evitar o efeito sanfona.

Efeito Sanfona: comer menos deve ser uma consequência

O estudo "Clinical Evidence and Mechanisms of High-Protein Diet-Induced Weight Loss" é uma revisão sistemática de estudos clínicos que investigaram os efeitos de dietas ricas em proteínas - com uma boa relação Proteína | Energia, na perda de peso. O estudo foi publicado em 2020.

A revisão incluiu estudos que compararam dietas ricas em proteínas com outras dietas para avaliar seus efeitos no emagrecimento em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Os resultados mostraram que as dietas ricas em proteínas levaram a uma perda de peso significativamente maior em comparação com outras dietas. Além disso, as dietas com melhor relação Proteína | Energia também levaram a uma redução significativa na gordura corporal e na circunferência da cintura em comparação com outras dietas.

Os mecanismos pelos quais as dietas com melhor relação Proteína | Energia induzem a perda de peso incluem aumento do gasto energético, aumento da saciedade e redução da ingestão de calorias. Ou seja, comer menos passa a ser uma consequência e não o ponto de partida.

As proteínas também têm um efeito termogênico maior do que os carboidratos e as gorduras, o que significa que o corpo queima mais calorias para digeri-las.

Fome e Saciedade: a importância da escolha correta para evitar o efeito sanfona

Entre os hormônios produzidos no trato gastrointestinal, o GLP-1 (peptídeo similar ao glucagon), a CCK (colecistoquinina) e o PYY (peptídeo tirosina-tirosina) são considerados hormônios anorexigênicos, pois reduzem o apetite. Por outro lado, a grelina é um hormônio orexigênico, o que significa que aumenta o apetite.

O estudo "Clinical Evidence and Mechanisms of High-Protein Diet-Induced Weight Loss" demonstra que dietas com boa relação Proteína | Energia aumentam os níveis desses hormônios anorexigênicos e diminuem os níveis do hormônio orexigênico, resultando em um aumento do sinal de saciedade e, consequentemente, na redução da ingestão alimentar.

Assim, o aumento dos níveis de hormônios anorexigênicos como GLP-1, CCK e PYY promovido por uma dieta rica em proteínas é um dos mecanismos pelos quais essa dieta acarreta uma perda de peso maior e sem tanto esforço, já que a pessoa sente menos fome e fica mais saciada. Esses hormônios são liberados após a ingestão e ativam receptores no sistema nervoso central para sinalizar a saciedade e diminuir a ingestão de alimentos.

Por outro lado, a grelina, hormônio orexigênico - que aumenta o apetite - e que é produzida no estômago, ficam mais reduzidos na vigência de uma dieta rica em proteínas, o que contribui para o aumento da saciedade, diminuição da fome e redução da ingestão alimentar.

Efeito Sanfona: A culpa não é sua

Para aqueles que tem obesidade, que precisam emagrecer, pode ser fácil se sentir desanimado após tentativas fracassadas de perder peso no passado. No entanto, é importante lembrar que essas tentativas fracassadas não são culpa sua, mas sim resultado das estratégias utilizadas. Dependendo da estratégia adotada, a medida que emagrecemos, a fome aumenta e o gasto energético diminui. Isso acontece porque o corpo quer retomar o seu peso máximo anterior. Por isso é tão importante - mais do que simplesmente restringir as calorias - levar em consideração a composição da sua dieta para otimizar a resposta hormonal para o emagrecimento.

Muitas pessoas conseguem alcançar o sucesso na perda de peso com o apoio de um grupo, um plano passo a passo a seguir e uma metodologia correta que diminua a fome e aumente a saciedade, sem proibição de alimentos, com prazer e mantendo a vida social.

Por isso, não desista! Encontre uma metodologia que funcione para você, baseada em evidências científicas, com o acompanhamento de um profissional capacitado, para ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

Efeito Sanfona e Grupo de Apoio

Encontre um grupo de apoio ou um amigo que possa motivá-lo e encorajá-lo em sua jornada. Aprenda a identificar os gatilhos alimentares que o levam a comer em excesso e desenvolva estratégias para lidar com essas situações. Técnicas de Mindful Eating costumam ser extremamente benéficas nesse sentido.

Efeito Sanfona: vale a pena se pesar com frequencia?

De fato, uma revisão de 2014 examinou a literatura publicada entre 1967 e 2013 sobre o uso da autopesagem diária para controlar o peso corporal e descobriu que a pesagem diária pode ser eficaz na prevenção do ganho de peso. Este estudo também descobriu que a pesagem frequente se correlaciona com a perda de peso e a manutenção do peso.

Isso ocorre porque a pesagem diária pode ajudar a manter o controle sobre o seu peso e permitir que você faça ajustes mais rapidamente se notar que está ganhando peso.

Efeito Sanfona e Atividade Física

Existem vários estudos científicos que abordam a relação entre atividade física e manutenção do peso perdido. É possível emagrecer sem fazer atividade física. No entanto, quando pensamos na manutenção do peso perdido para evitar o efeito sanfona, a prática de atividade física torna-se essencial.

O exercício físico fornece um meio de aumentar o gasto energético e pode ajudar a ajustar o equilíbrio energético para perda e manutenção de peso. Pelo menos 30 minutos por dia de exercício aeróbico de intensidade moderada são recomendados para perda e manutenção de peso, mas quantidades maiores parecem aumentar a magnitude da perda e manutenção de peso. O treinamento de resistência (como musculação) tem sido mostrado recentemente a ter efeitos positivos na composição corporal. Independentemente da perda de peso, tanto o exercício aeróbico quanto o treinamento de resistência foram mostrados para diminuir os fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes.

Não tenha medo de experimentar diferentes tipos de exercícios físicos e atividades para encontrar algo que você goste e possa manter a longo prazo. Lembre-se de que você não está sozinho e muitas pessoas enfrentam as mesmas dificuldades que você.

Cada pequena mudança faz a diferença.

Dr. Rodrigo Bomeny
Médico | Endocrinologista | Faculdade de Medicina USP
CRM 129869 | RQE 60562

Referências:

Clinical Evidence and Mechanisms of High-Protein Diet-Induced Weight Loss J Obes Metab Syndr. 2020 Sep 30; 29(3): 166–173.
The role of exercise for weight loss and maintenance Joseph E Donnelly

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