Densitometria no homem: quando a testosterona baixa pede o exame
Densitometria óssea no homem: quem deve fazer e como ler o escore Z
Resumo rápido
- Pela Fundação Internacional de Osteoporose, 1 em cada 5 homens com mais de 50 anos terá uma fratura por osteoporose.
- A densitometria entra aos 70 anos e, antes, com fator de risco, como testosterona baixa confirmada ou corticoide.
- A partir dos 50 anos vale o escore T; abaixo, o escore Z.
- A reposição de testosterona aumenta a densidade do osso, mas, no estudo TRAVERSE, não diminuiu as fraturas.
- Osteoporose se trata com remédio que diminui fraturas, como bisfosfonatos ou denosumabe.
Imagine um homem de 58 anos com testosterona baixa confirmada. Ele vai começar a reposição, pergunta se ela "fortalece os ossos" e nunca pensou em densitometria no homem: achava que era exame de mulher.
Pela Endocrine Society, o hipogonadismo justifica o exame já entre 50 e 69 anos. E, se houver osteoporose, a testosterona sozinha não é o tratamento.
A seguir, explico quem deve fazer o exame, como ler o laudo e o que a reposição faz pelo osso, sempre com sintomas, exame físico e histórico. O laudo em detalhe está em densitometria óssea.
O que Você Precisa Saber
O osso do homem depende de dois hormônios. A testosterona e, sobretudo, o estradiol que nasce dela freiam a perda de osso.
Testosterona baixa é motivo para medir o osso. Com hipogonadismo confirmado, a densitometria entra antes dos 70 anos.
Osteoporose no homem pede investigar a causa. Corticoide, álcool, tireoide, paratireoide e intestino entram na lista.
Densidade maior não é menos fratura. A reposição melhora o exame, mas não provou proteger contra fraturas.
Por que o homem também perde osso: testosterona e estradiol
Costumo explicar com LEGO. O osso é uma construção que nunca fica pronta: uma equipe desmonta peças velhas e outra monta novas. No homem, o estradiol, feito a partir da testosterona, segura a equipe que desmonta; a testosterona ajuda a que monta e mantém o músculo, que protege das quedas.
osso menos denso e mais frágil, que quebra com trauma leve, como uma queda da própria altura.
Num estudo com homens de 20 a 50 anos, com a produção de hormônios suspensa, estradiol acima de cerca de 10 pg/mL e testosterona acima de cerca de 200 ng/dL bastaram, em geral, para proteger o osso. Por isso, baixar o estradiol com inibidor de aromatase tira osso, como mostro em estradiol no homem.
Pela Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), 1 em cada 5 homens com mais de 50 anos terá uma fratura por osteoporose. Nos seis meses após uma fratura de quadril, a mortalidade dos homens é cerca do dobro da das mulheres da mesma idade.
Quem deve fazer densitometria: as indicações no homem
Pela Endocrine Society (2012) e pela Sociedade Internacional de Densitometria Clínica (ISCD):
| Situação | Densitometria? | Observação |
|---|---|---|
| 70 anos ou mais | Sim | Mesmo sem fator de risco |
| 50 a 69 anos com fator de risco | Sim | Baixo peso, fratura por trauma leve, fratura de quadril nos pais, tabagismo, excesso de álcool |
| Hipogonadismo confirmado | Sim, antes dos 70 | Testosterona baixa em duas coletas, com sintomas |
| Bloqueio hormonal do câncer de próstata | Sim | Incluir o antebraço, sugere a Endocrine Society |
| Corticoide em comprimido por três meses ou mais | Sim | Qualquer idade adulta |
| Fratura por trauma leve | Sim | Qualquer idade adulta |
| Hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, doença celíaca, artrite reumatoide, DPOC ou diabetes de longa data | Sim | Doenças que tiram osso |
| 50 a 69 anos sem fator de risco | Em geral, não | Evidência insuficiente para rastrear todos (USPSTF, 2025) |
Testosterona baixa confirmada exige duas coletas entre 7h e 10h, em jejum, em dias diferentes, como no exame de testosterona; LH e FSH apontam a causa, como detalho em LH e FSH no homem.
Como ler o laudo: escore T, escore Z e FRAX
Vale o menor resultado entre coluna, colo do fêmur e fêmur total:
- A partir dos 50 anos, escore T (T-score): −1,0 ou mais é normal; entre −1,0 e −2,5, osteopenia; −2,5 ou menos, osteoporose.
- Abaixo dos 50, escore Z (Z-score): compara com homens da mesma idade; −2,0 ou menos é "abaixo do esperado para a idade" e pede investigar causas.
Pela ISCD, no homem abaixo dos 50 anos a osteoporose não pode ser diagnosticada só pela densitometria; a partir dos 50, ela é diagnosticada com escore T de −2,5 ou menos.
Pela Endocrine Society, o remédio é recomendado a partir dos 50 anos com:
- fratura de quadril ou de vértebra por trauma leve;
- escore T de −2,5 ou menos;
- osteopenia com risco alto no FRAX, a calculadora do risco de fratura em 10 anos (no Brasil, o FRAX Brasil);
- corticoide prolongado, acima de 7,5 mg de prednisona por dia;
- bloqueio hormonal da próstata com risco alto de fratura.
Causas secundárias: o que investigar na osteoporose masculina
doença, remédio ou hábito que explica a perda de osso. Tratá-la faz parte do tratamento da osteoporose.
Pela Endocrine Society, a investigação começa com cálcio, fósforo, creatinina, fosfatase alcalina, fígado, vitamina D, testosterona total, hemograma e cálcio na urina de 24 horas; PTH, tireoide e anticorpos da doença celíaca entram conforme a suspeita. As causas que mais procuro:
- álcool, cigarro e corticoide em comprimido;
- hipogonadismo, inclusive o ligado a obesidade e opioides; veja causas de testosterona baixa;
- hipertireoidismo, inclusive por excesso de levotiroxina, e hiperparatireoidismo;
- falta de vitamina D e má absorção, como na doença celíaca ou após bariátrica.
Reposição de testosterona e osso: o que os estudos mostram
A testosterona melhora o exame. Nos Testosterone Trials, com 211 homens de 65 anos ou mais e testosterona abaixo de 275 ng/dL, um ano de gel aumentou a densidade da coluna, medida por tomografia, em 7,5%, contra 0,8% com placebo. Mas diminui fraturas?
No estudo TRAVERSE, publicado em 2024, com 5.204 homens de 45 a 80 anos e testosterona abaixo de 300 ng/dL, o gel de testosterona não diminuiu as fraturas: 3,50% dos tratados tiveram fratura, contra 2,46% com placebo, em 3,19 anos de acompanhamento mediano. As fraturas típicas da osteoporose ficaram em 1,38% e 1,15%, respectivamente, sem diferença significativa.
Minha leitura: a maioria das fraturas veio de quedas e outros traumas, talvez porque homens com mais energia se expõem mais. O estudo usou só gel e não incluiu testosterona abaixo de 100 ng/dL, mas mostra que densidade maior não garante menos fratura; detalho em testosterona baixa e osteoporose.
Em 2012, a Endocrine Society já apontava a falta de dados de fratura e, para quem tem risco alto e usa testosterona, sugeria somar um remédio que comprovadamente diminui fraturas.
Por isso, testosterona não é tratamento de osteoporose: ela trata o hipogonadismo, como explico no guia de reposição de testosterona. Não existe equilíbrio, existe prioridade: no risco alto, o remédio que diminui fraturas vem antes.
Tratamento da osteoporose no homem
Os remédios estudados em homens são os bisfosfonatos (alendronato, risedronato e ácido zoledrônico) e o denosumabe, que freiam a equipe que desmonta o osso, e a teriparatida, que estimula a que monta. A escolha depende dos rins, das fraturas e de outras doenças. O efeito foi medido em homens:
Num estudo com 1.199 homens de 50 a 85 anos com osteoporose, o ácido zoledrônico diminuiu as novas fraturas de vértebra vistas na radiografia de 4,9% para 1,6% em dois anos. Em 1.468 homens em bloqueio hormonal para câncer de próstata, o denosumabe diminuiu as novas fraturas de vértebra de 3,9% para 1,5% em três anos.
Com tratamento, a densitometria se repete a cada um a dois anos, no mesmo aparelho.
Exercício, proteína, cálcio e vitamina D
Valem para todos. Pela Endocrine Society:
- Exercício com impacto: 30 a 40 minutos, três a quatro vezes por semana; força e equilíbrio também diminuem quedas.
- Cálcio: 1.000 a 1.200 mg por dia, de preferência pela comida.
- Vitamina D: abaixo de 30 ng/mL, suplementar até pelo menos esse valor. Megadoses não trazem benefício extra; os riscos, que valem também para o homem, estão em vitamina D na menopausa.
- Álcool e cigarro: diminuir o álcool acima de três doses por dia e parar de fumar.
Proteína adequada, com treino de força, mantém o músculo que protege das quedas.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Homem pode ter osteoporose?
Pode, e é mais comum do que se imagina. Pela Fundação Internacional de Osteoporose, 1 em cada 5 homens com mais de 50 anos terá uma fratura por osteoporose, e a mortalidade após fratura de quadril é maior neles. A doença é silenciosa até a fratura. Testosterona baixa, corticoide, álcool, cigarro, tireoide e intestino aumentam o risco.
- Com que idade o homem deve fazer densitometria óssea?
Pela Endocrine Society e pela ISCD, a partir dos 70 anos. Entre 50 e 69, com fator de risco, como fratura por trauma leve, baixo peso, tabagismo, excesso de álcool, corticoide, testosterona baixa confirmada ou bloqueio hormonal da próstata. Antes dos 50, com doença ou remédio que tira osso. Rastrear todos não tem evidência suficiente.
- Testosterona baixa causa osteoporose?
Pode contribuir. No homem, a testosterona e, sobretudo, o estradiol que nasce dela freiam a perda de osso; com hipogonadismo, essa proteção diminui. Mas a testosterona baixa raramente é a única causa: corticoide, álcool, tireoide, paratireoide e intestino também entram na investigação. Com testosterona baixa confirmada, a densitometria está indicada antes dos 70 anos.
- A reposição de testosterona trata osteoporose?
Não. Ela aumenta a densidade do osso: nos Testosterone Trials, a densidade da coluna subiu 7,5% em um ano, contra 0,8% com placebo. Mas, no TRAVERSE, com 5.204 homens, as fraturas não diminuíram: foram 3,50% com testosterona e 2,46% com placebo. Quem tem osteoporose precisa de remédio que comprovadamente diminui fraturas, com ou sem reposição.
- Como ler o escore Z da densitometria no homem?
O escore Z vale abaixo dos 50 anos e compara a sua densidade com a de homens da mesma idade. Acima de −2,0, está dentro do esperado; −2,0 ou menos é "abaixo do esperado para a idade" e pede investigar causas, como hipogonadismo, corticoide, doença celíaca ou hiperparatireoidismo. Nessa idade, o exame sozinho não diagnostica osteoporose.
- Osteoporose em homem jovem: o que pode ser?
Em geral, há uma causa por trás. As mais procuradas são hipogonadismo, corticoide, álcool, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, falta de vitamina D e doença celíaca ou outra má absorção. A investigação começa com cálcio, fósforo, rins, fígado, vitamina D, testosterona e hemograma, e cresce conforme a suspeita. Abaixo dos 50 anos, vale o escore Z, não o T.
- Osteoporose dá mais em homem ou em mulher?
Em mulher. Pela Fundação Internacional de Osteoporose, 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens com mais de 50 anos terão uma fratura por osteoporose. Mas os homens somam cerca de um quarto das fraturas de quadril depois dos 50 e, nos seis meses seguintes, morrem cerca de duas vezes mais que mulheres da mesma idade.
- Qual o tratamento da osteoporose no homem?
Remédio que diminui fraturas, quando indicado: bisfosfonatos, como alendronato, risedronato e ácido zoledrônico, denosumabe ou teriparatida, conforme rins, fraturas anteriores e outras doenças. Junto, tratar a causa, fazer exercício com impacto e força, buscar cálcio na comida, corrigir a vitamina D se faltar, diminuir o álcool e parar de fumar. Testosterona trata hipogonadismo, não osteoporose.
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Referências
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