Adolescente precisa de endocrinologista adulto ou pediátrico?
Endocrinologista para adolescente: pediátrico ou de adultos, e quando fazer a transição
Resumo rápido
- Crescimento, puberdade, diabetes tipo 1 no adolescente mais novo e doenças genéticas: pediátrico.
- Pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a pediatria acompanha até os 20 anos incompletos.
- Crescimento concluído: obesidade, diabetes tipo 2 e tireoide podem ir ao endocrinologista de adultos.
- A troca não tem idade fixa; a maioria muda por volta dos 18 a 19 anos.
- O adolescente com discernimento pode ser atendido a sós, com sigilo.
Imagine um rapaz de 16 anos, com obesidade, uma mancha escura no pescoço e glicada de 6,0%, na faixa do pré-diabetes. O pediatra sugeriu um especialista, e a mãe pergunta: endocrinologista para adolescente é o pediátrico ou o de adultos?
Depende menos da idade e mais do problema, da puberdade e da maturidade. Escrevo para os pais e para o adolescente; os sinais gerais estão em quando procurar um endocrinologista.
O que Você Precisa Saber
A idade sozinha não decide. O problema e a fase da puberdade pesam mais.
Crescimento e puberdade são do pediatra. Quem lê a curva de crescimento é o endocrinologista pediátrico.
No fim da adolescência, os dois servem. Muitas doenças se tratam como no adulto.
Transição é processo, não data. Trocar às pressas aos 18 anos favorece o abandono.
Endocrinologista pediátrico: quem é e até que idade acompanha
área de atuação que cuida dos hormônios, do crescimento e da puberdade de crianças e adolescentes, com dois anos de formação após a pediatria ou a endocrinologia.
Pela Resolução nº 2.472/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em outubro de 2026, ela é uma das 64 áreas de atuação, com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) próprio; veja como verificar o RQE.
Pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o pediatra acompanha até os 20 anos incompletos. A Organização Mundial da Saúde define a adolescência dos 10 aos 19 anos, e o Estatuto da Criança e do Adolescente, dos 12 aos 18 incompletos. Um documento da SBP de 2023 lembra que, a partir dos 16 anos, o adolescente pode optar por um médico que não seja pediatra.
Dos 16 aos 19 anos, os dois caminhos são possíveis.
Quando o endocrinologista pediátrico é a escolha clara
Pense assim: enquanto o corpo está em obra, crescendo e entrando na puberdade, a planta fica com quem acompanha obras assim todo dia; terminada a obra, a manutenção pode mudar de mãos. O pediátrico é a escolha clara em:
- baixa estatura para a família ou crescimento lento;
- puberdade antes dos 8 anos nas meninas ou dos 9 nos meninos;
- puberdade atrasada: pela SBP, sem início das mamas aos 13 anos ou do aumento dos testículos aos 14;
- diabetes tipo 1 em criança ou adolescente mais jovem;
- doenças genéticas ou congênitas, como a síndrome de Turner;
- obesidade em quem ainda cresce, com o IMC lido em percentis.
Quando o endocrinologista de adultos pode acompanhar
No fim da adolescência, com a puberdade completa e o crescimento terminado, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças da tireoide passam a ser tratadas de forma parecida com a do adulto; a dose de levotiroxina, por exemplo, segue o peso e o TSH. Acne e ciclos irregulares pedem cautela:
Pela diretriz internacional de síndrome dos ovários policísticos (SOP) de 2023, o diagnóstico na adolescente exige ciclo irregular e excesso de hormônio masculino, e o ultrassom dos ovários não é usado nos primeiros oito anos após a primeira menstruação.
Tabela: quem acompanha melhor cada situação
| Situação | Quem acompanha | Por quê |
|---|---|---|
| Baixa estatura ou crescimento lento | Endocrinologista pediátrico | Avalia curva e idade óssea |
| Puberdade cedo ou atrasada | Endocrinologista pediátrico | O tratamento depende da fase do crescimento |
| Diabetes tipo 1 em criança ou adolescente mais jovem | Endocrinologista pediátrico | Insulina ajustada ao crescimento e à escola |
| Obesidade | Pediátrico enquanto cresce; depois, qualquer um | IMC em percentil durante o crescimento |
| Diabetes tipo 2 ou tireoide no fim da adolescência | Qualquer um dos dois | Tratamento próximo ao do adulto |
| Doença crônica já acompanhada na pediatria | Manter até a transição | Troca sem plano aumenta o abandono |
Remédios para obesidade e cirurgia na adolescência
Pelas bulas brasileiras, a semaglutida (Wegovy) e a liraglutida (Saxenda) podem ser usadas a partir dos 12 anos, com peso acima de 60 kg e obesidade definida por idade e sexo, junto com mudança de hábitos. Já a tirzepatida (Mounjaro) teve a indicação ampliada pela Anvisa, em abril de 2026, para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos; obesidade não entrou.
Pela Resolução CFM nº 2.429/2025, a cirurgia bariátrica segue os critérios de adulto a partir dos 16 anos. Entre 14 e 16 anos, só em caso excepcional, com IMC acima de 40 e complicação que traga risco de vida. Em qualquer idade, exige falha do tratamento clínico.
Os critérios de adulto estão no tratamento da obesidade com endocrinologista.
A transição do pediatra para o endocrinologista de adultos
Nenhuma diretriz crava uma idade. O consenso europeu de 2026 das sociedades de endocrinologia pediátrica e de adultos (ESPE e ESE) aceita a transferência entre 16 e 24 anos, a maioria por volta dos 18 a 19, com preparo desde o início da adolescência e prontidão avaliada ao menos dois anos antes. No diabetes tipo 1, a ISPAD, em 2022, e a Associação Americana de Diabetes (ADA), em 2011, pedem ao menos um ano de preparo.
No consenso europeu de 2026 sobre transição em endocrinologia, a perda de seguimento descrita variou de 28% a 43% no diabetes tipo 1 e de 22% a 61% na obesidade. Em um dos estudos citados, no diabetes tipo 1, a presença nas consultas passou de 94% antes da transição para 57% depois.
Se você é o adolescente, aprenda nome, dose e função de cada remédio, marque os próprios exames e leve um resumo do pediatra. Convém marcar a primeira consulta com o médico de adultos ainda na pediatria; depois, veja a frequência das consultas com endocrinologista.
Os pais entram na consulta?
Pela SBP, o adolescente com discernimento pode fazer consultas e exames não invasivos sozinho; internação exige autorização dos pais.
Pelo Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018, art. 74), o médico não revela o sigilo de paciente criança ou adolescente com capacidade de discernimento, nem aos pais ou responsáveis, salvo quando a não revelação puder causar dano ao paciente.
Na transição, o consenso europeu sugere ouvir pais e adolescente separadamente.
Como preparar a consulta
Leve:
- a caderneta com a curva de crescimento e as alturas dos pais;
- a idade do início da puberdade ou da primeira menstruação;
- exames antigos e remédios com doses (veja os exames da primeira consulta);
- o resumo do pediatra e perguntas escritas pelo adolescente.
O passo a passo está em como funciona a consulta com endocrinologista; pelo SUS, o caminho começa na unidade básica (veja endocrinologista pelo SUS).
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Endocrinologista pediátrico atende até que idade?
Pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a pediatria, incluindo o endocrinologista pediátrico, acompanha até os 20 anos incompletos. A troca para o de adultos não tem idade fixa: o consenso europeu de 2026 aceita transferências entre 16 e 24 anos, a maioria por volta dos 18 a 19, conforme maturidade e doença.
- Endocrinologista de adultos atende a partir de que idade?
As normas reunidas pela Sociedade Brasileira de Pediatria não fixam idade mínima para o endocrinologista de adultos e lembram que, a partir dos 16 anos, o adolescente pode optar por um médico que não seja pediatra. Cada profissional define a faixa que acompanha; vale perguntar ao agendar. Crescimento e puberdade ficam com o pediátrico.
- Endocrinologista atende criança?
O endocrinologista pediátrico, sim: é a área de atuação dedicada a crianças e adolescentes, com RQE próprio. É o indicado para baixa estatura, puberdade antes dos 8 anos nas meninas ou dos 9 nos meninos, puberdade atrasada, obesidade com alterações metabólicas e diabetes tipo 1, em geral após encaminhamento do pediatra.
- Adolescente pode ir à consulta sozinho?
Pode, se o médico reconhecer seu discernimento. Um documento da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2023 afirma que o adolescente pode fazer consultas e exames não invasivos sozinho e que exigir um responsável viola o direito à saúde. Internação exige autorização dos pais, e o Código de Ética Médica protege o sigilo, com exceções.
- Adolescente pode tomar tirzepatida (Mounjaro)?
No diabetes tipo 2, sim: em abril de 2026, a Anvisa aprovou a tirzepatida (Mounjaro) a partir dos 10 anos. Para obesidade em adolescentes, essa aprovação não vale; nesse caso, as bulas brasileiras trazem a semaglutida (Wegovy) e a liraglutida (Saxenda) a partir dos 12 anos, com critérios de peso e IMC.
- A semaglutida (Wegovy) pode ser usada por adolescentes?
Pela bula brasileira, a partir dos 12 anos, com IMC no percentil 95 ou acima para idade e sexo e peso acima de 60 kg, junto com mudança de hábitos. Se o IMC não diminuir pelo menos 5% após 12 semanas na dose de 2,4 mg, ou na maior tolerada, o tratamento é reavaliado. A dose de 7,2 mg é só de adultos.
- Quando fazer a transição do pediatra para o endocrinologista de adultos?
Quando o adolescente estiver pronto. O consenso europeu de 2026 recomenda preparar desde o início da adolescência e avaliar a prontidão ao menos dois anos antes; no diabetes tipo 1, a diretriz ISPAD de 2022 pede pelo menos um ano. Convém marcar a primeira consulta com o médico de adultos ainda na pediatria.
- Adolescente com obesidade deve procurar endocrinologista?
Nem sempre como primeiro passo. O pediatra avalia a curva de IMC, a pressão e os exames e encaminha quando há alterações metabólicas, suspeita de causa hormonal ou genética ou necessidade de remédio. Enquanto o adolescente cresce, o endocrinologista pediátrico costuma ser a melhor escolha; depois, o de adultos também pode acompanhar.
Cuide da sua saúde com orientação individual

Referências
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.472, de 24 de setembro de 2026. Relação de especialidades e áreas de atuação médicas reconhecidas. Diário Oficial da União. 28 out 2026;ed. 204, Seção 1:153. Revoga a Resolução CFM nº 2.380/2024.
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Departamento de Medicina do Adolescente (gestão 2022-2024). Leis e normas que embasam o atendimento do adolescente nas unidades de saúde. Nº 54. Rio de Janeiro: SBP; 16 mar 2023. E: SBP, Departamento Científico de Endocrinologia. Puberdade atrasada. Pediatria para Famílias; mar 2023.
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.217/2018. Código de Ética Médica, art. 74. Diário Oficial da União. 1 nov 2018.
- Le Roux E, Stochholm K, Fassnacht M, et al. ESPE and ESE joint clinical practice guidance for healthcare transition from paediatric to adult endocrine care. Eur J Endocrinol. 2026;194(2):G1-G10. doi:10.1093/ejendo/lvag020.
- Gregory JW, Cameron FJ, Joshi K, et al. ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2022: Diabetes in adolescence. Pediatr Diabetes. 2022;23(7):857-871. doi:10.1111/pedi.13408.
- Peters A, Laffel L; American Diabetes Association Transitions Working Group. Diabetes care for emerging adults: recommendations for transition from pediatric to adult diabetes care systems. Diabetes Care. 2011;34(11):2477-2485. doi:10.2337/dc11-1723.
- Bulas para o profissional de saúde de Wegovy (semaglutida) e Saxenda (liraglutida), Novo Nordisk, consultadas em novembro de 2026. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução-RE nº 1.592, de 17 de abril de 2026 (Diário Oficial da União de 22 abr 2026): nova indicação de Mounjaro (tirzepatida) no diabetes tipo 2 a partir de 10 anos.
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.429, de 25 de abril de 2025. Normatiza as cirurgias reconhecidas pelo CFM para o tratamento da obesidade e das doenças associadas. Diário Oficial da União. 20 maio 2025;Seção 1:170. Alterada pela Resolução CFM nº 2.470/2026.
- Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2023;108(10):2447-2469. doi:10.1210/clinem/dgad463.
