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Tratamento da menopausa sem hormônios: o que ajuda nos fogachos?

Tratamento não hormonal para fogachos: o que realmente funciona na menopausa

Resumo rápido

  • Fogachos podem ser tratados sem hormônio, com terapias comportamentais e medicamentos que têm evidência científica.
  • As opções incluem terapia cognitivo-comportamental, alguns antidepressivos, gabapentina, oxibutinina e fezolinetanto.
  • O fezolinetanto foi aprovado pela Anvisa em 2026 e exige monitoramento do fígado.
  • Suplementos "naturais" não têm eficácia nem segurança comprovadas para ondas de calor.
  • Se os fogachos atrapalham sono, trabalho ou qualidade de vida, procure avaliação médica individual.

Você está em uma reunião e, sem aviso, uma onda de calor sobe pelo peito e pelo rosto. À noite, acorda encharcada de suor e demora para voltar a dormir. Para muitas mulheres, a menopausa é exatamente isso, várias vezes por dia.

Se você não pode ou não deseja usar hormônios, isso não significa que precise suportar os sintomas sem ajuda. Existem alternativas não hormonais para tratar fogachos, incluindo intervenções psicológicas específicas e medicamentos. Cada uma tem benefícios, limites e possíveis efeitos adversos.

Este artigo trata principalmente das ondas de calor e dos suores noturnos. Ressecamento vaginal, alterações do sono, humor e saúde óssea podem precisar de abordagens diferentes. Uma opção eficaz para um sintoma não necessariamente resolve todos os demais.

O que você precisa saber

Não usar hormônio é uma decisão que merece contexto. Algumas mulheres têm contraindicações; outras preferem alternativas depois de discutir benefícios e riscos. A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para fogachos em candidatas adequadas. Conhecer as opções não hormonais permite uma decisão compartilhada, sem transformar nenhuma estratégia em regra para todas.

Há evidência para tratamentos específicos. Terapia cognitivo-comportamental, hipnose clínica, alguns antidepressivos, gabapentina, oxibutinina, fezolinetanto e perda de peso estão entre as opções com respaldo científico. Isso não quer dizer que qualquer remédio dessas classes funcione da mesma forma, nem que todos tenham a mesma indicação aprovada no Brasil.

"Sem hormônio" não significa "sem risco". Sonolência, interações medicamentosas e condições do fígado ou dos rins podem mudar a escolha. O acompanhamento deve avaliar benefício real e tolerabilidade. Também é preciso conferir disponibilidade e bula brasileira, porque uma recomendação internacional não garante acesso, cobertura ou adequação individual.

O fezolinetanto é a novidade mais importante. É o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para fogachos a ser registrado no Brasil. Ele age no centro de controle de temperatura do cérebro e reduz a frequência das ondas de calor, mas exige exames de fígado antes e durante o tratamento.

O tratamento não hormonal dos fogachos reúne terapias que aliviam ondas de calor e suores noturnos da menopausa sem repor estrogênio, como terapia cognitivo-comportamental, alguns antidepressivos, gabapentina, oxibutinina e fezolinetanto.

Por que o fogacho acontece?

O fogacho é uma sensação súbita de calor intenso, geralmente no peito, no pescoço e no rosto, que pode vir com vermelhidão, suor e palpitação. Quando acontece durante o sono, recebe o nome de suor noturno. Os médicos chamam esse conjunto de sintomas vasomotores.

O "termostato" do corpo fica no hipotálamo, uma pequena região do cérebro. Antes da menopausa, o estrogênio mantém em equilíbrio uma substância chamada neurocinina B, que conversa com os neurônios que regulam a temperatura.

Quando o estrogênio cai, a neurocinina B fica mais ativa. O termostato passa a interpretar pequenas variações de temperatura como superaquecimento e dispara o mecanismo de resfriamento: dilata os vasos da pele e faz você suar. É como um alarme de incêndio sensível demais, que toca com a fumaça de uma torrada.

Os fogachos não são passageiros para todas. No estudo americano SWAN, que acompanhou milhares de mulheres, a duração mediana dos sintomas vasomotores foi de cerca de 7 anos, e algumas mulheres convivem com eles por bem mais tempo.

Primeiro passo: confirmar o que está causando o calor

Fogachos são comuns na transição menopausal, mas nem todo calor ou suor nessa fase vem da menopausa. Antes de tratar, vale descartar outras causas:

  • Excesso de hormônio da tireoide: tanto o hipertireoidismo quanto uma dose alta de levotiroxina causam intolerância ao calor e suor. Quem trata hipotireoidismo deve revisar a dose.
  • Hipoglicemia noturna: mulheres com diabetes que usam insulina ou sulfonilureias podem acordar suadas por queda de glicose. Saiba como identificar e prevenir a hipoglicemia.
  • Medicamentos: alguns antidepressivos, opioides e o próprio tamoxifeno podem provocar suor e calor.
  • Sinais de alerta: febre, perda de peso sem explicação ou suor persistente acompanhado de outros sintomas exigem investigação.

A história menstrual, a idade e o padrão dos episódios ajudam muito na avaliação. Exames hormonais não precisam ser pedidos de forma indiscriminada; explico essa diferença no meu artigo sobre perimenopausa, sintomas e exames.

Por que a terapia hormonal foi descartada?

Antes de escolher uma alternativa, gosto de revisar por que a reposição saiu da mesa. Uma contraindicação verdadeira é diferente de um receio baseado em informação incompleta.

As principais contraindicações à terapia hormonal são:

  • câncer de mama ou outros tumores dependentes de hormônio;
  • trombose venosa ou embolia pulmonar prévias;
  • AVC ou infarto prévios;
  • doença hepática ativa;
  • sangramento vaginal ainda não investigado.

Se nenhuma dessas situações se aplica, a discussão sobre quando indicar reposição hormonal na menopausa pode ajudar a organizar suas dúvidas.

Quais tratamentos não hormonais têm evidência?

Terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma psicoterapia estruturada, com número definido de sessões, que ensina a mudar pensamentos e reações diante de um problema. Protocolos específicos para menopausa ajudam a lidar com o impacto dos fogachos, com a ansiedade antecipatória e com o sono.

O objetivo não é sugerir que o sintoma seja imaginário. Existe uma alteração fisiológica real, e a forma de responder a ela também influencia o sofrimento. Por isso, o resultado deve ser avaliado pelo incômodo e pela interferência na rotina, não apenas pela contagem de episódios.

A hipnose clínica também tem evidência, quando oferecida por profissional qualificado em contexto apropriado.

Antidepressivos em dose baixa

Alguns inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) reduzem fogachos. Paroxetina, venlafaxina, desvenlafaxina, escitalopram e citalopram são os mais estudados.

Usar um desses remédios para fogachos não significa que você tenha depressão. Eles atuam nas mesmas vias cerebrais que regulam a temperatura, muitas vezes em doses menores que as usadas para humor.

Um estudo randomizado publicado em 2014 comparou estradiol em dose baixa com venlafaxina. Os dois foram melhores que o placebo, e a diferença entre eles foi pequena. É um bom exemplo de que a alternativa não hormonal pode oferecer alívio relevante.

Cuidados importantes:

  • Náusea, alteração do sono e redução da libido são efeitos possíveis.
  • A retirada deve ser gradual, nunca abrupta.
  • Quem usa tamoxifeno deve evitar paroxetina e fluoxetina, porque elas podem reduzir a ação do tamoxifeno. Venlafaxina e escitalopram costumam ser opções mais seguras nesse contexto.

Gabapentina

A gabapentina é um remédio usado originalmente para epilepsia e dor neuropática. Ela pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente quando os suores noturnos atrapalham o sono, porque costuma ser tomada à noite.

Pode causar sonolência e tontura. Exige cuidado com a função renal e com o uso de outros sedativos. A pregabalina, um remédio parecido, não é recomendada para fogachos.

Oxibutinina

A oxibutinina é usada para bexiga hiperativa e também reduz fogachos. Seus efeitos anticolinérgicos, como boca seca, constipação e dificuldade para urinar, limitam o uso em algumas pessoas. Em mulheres mais velhas, há preocupação com efeitos sobre memória e cognição no uso prolongado.

Fezolinetanto: o primeiro remédio criado especificamente para fogachos

O fezolinetanto bloqueia o receptor NK3, onde a neurocinina B se liga no hipotálamo. Em vez de repor estrogênio, ele "acalma" diretamente o alarme de temperatura descrito acima.

A Anvisa aprovou o registro do fezolinetanto, com o nome comercial Veoza, em 22 de junho de 2026. A indicação é para sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. A comercialização depende da definição de preço pela CMED, e acesso e cobertura podem variar.

No estudo SKYLIGHT 1, com 527 mulheres que tinham ao menos sete fogachos moderados ou intensos por dia, o fezolinetanto 45 mg reduziu cerca de 2,5 episódios diários a mais que o placebo após 12 semanas.

Esse é um resultado médio e não garante resposta individual. O efeito costuma aparecer já nas primeiras semanas.

O cuidado com o fígado. Em 2024, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, acrescentou um alerta sobre lesão hepática rara, mas potencialmente grave. Por isso, a prescrição exige exames de função hepática antes de começar e periodicamente nos primeiros meses, seguindo a bula brasileira. A frequência dos exames deve estar no seu plano de tratamento.

Procure atendimento imediatamente se surgirem:

  • pele ou olhos amarelados (icterícia);
  • urina escura ou fezes claras;
  • coceira intensa sem explicação;
  • cansaço, náusea ou dor no lado direito do abdome.

O fezolinetanto também tem interações com alguns medicamentos que interferem na sua eliminação, como a fluvoxamina. Ele trata fogachos e suores noturnos, mas não protege os ossos nem melhora o ressecamento vaginal.

Elinzanetanto: aprovado no exterior

O elinzanetanto atua de forma semelhante, bloqueando os receptores NK1 e NK3. Nos estudos OASIS 1 e 2, reduziu fogachos e melhorou o sono. Foi aprovado nos Estados Unidos e na Europa em 2025, mas, até a data desta revisão, não encontrei registro dele na Anvisa. Sonolência e cansaço estão entre os efeitos mais relatados.

Bloqueio do gânglio estrelado

É um procedimento em que se injeta anestésico em um conjunto de nervos no pescoço. Pode ajudar em casos selecionados de fogachos intensos, mas é invasivo e tem riscos. Fica reservado para situações específicas, avaliadas por equipe experiente.

Comparativo das principais opções

Opção Pode fazer mais sentido quando… Principais cuidados
Terapia cognitivo-comportamental O incômodo e o sono pesam muito; prefere evitar remédios Exige profissional treinado e adesão às sessões
Antidepressivos (ISRS/IRSN) Há também alteração de humor ou ansiedade Interações (tamoxifeno), libido, retirada gradual
Gabapentina Suores noturnos atrapalham o sono Sonolência, tontura, função renal
Oxibutinina Há também bexiga hiperativa Boca seca, constipação, cognição em idosas
Fezolinetanto Fogachos moderados a intensos, sem hormônio Exames de fígado, interações, acesso e custo
Perda de peso Há excesso de peso Efeito variável; benefício metabólico amplo

Peso, hábitos e suplementos: o que esperar

Perder peso pode ajudar

Esse ponto costuma surpreender: em mulheres com excesso de peso, emagrecer está entre as poucas mudanças de estilo de vida com respaldo para reduzir fogachos. A gordura corporal funciona como isolante térmico e interfere na regulação da temperatura.

Como endocrinologista, vejo nisso uma oportunidade dupla. O mesmo tratamento que alivia fogachos melhora glicemia, pressão e risco cardiovascular. Se o peso mudou nessa fase, vale ler sobre por que a menopausa favorece o ganho de peso e conhecer as opções de tratamento da obesidade.

Fogachos intensos e persistentes também têm sido associados a pior perfil cardiometabólico em estudos observacionais. Mais um motivo para olhar o quadro inteiro, incluindo a síndrome metabólica.

Hábitos trazem conforto, mas não são tratamento

Roupas em camadas, ventilador e ambiente mais fresco aumentam o conforto. Exercício, alimentação equilibrada e cuidado com o sono beneficiam a saúde geral. Mas não posso prometer que essas medidas eliminem fogachos com a mesma evidência dos tratamentos específicos.

Suplementos: "natural" não é sinônimo de eficaz

Soja e isoflavonas, cimicífuga (black cohosh), outros fitoterápicos e canabinoides não têm evidência consistente para ondas de calor. A cimicífuga, inclusive, tem relatos de lesão hepática. Acupuntura e clonidina também não estão entre as opções recomendadas.

Produtos vegetais têm composição variável e podem interagir com seus medicamentos. Gastar mais em um produto não comprova que ele funcione melhor.

O planejamento financeiro também deve incluir consultas e exames, não apenas a caixa do remédio. Discuto essa lógica no texto sobre custos do tratamento da menopausa, embora preços e cuidados variem conforme a estratégia.

Como escolher: não existe equilíbrio, existe prioridade

Não há uma opção universalmente superior. Na prática, gosto de começar perguntando qual sintoma mais pesa hoje: fogachos durante o dia, sono interrompido, humor, peso? Não existe equilíbrio, existe prioridade, e a prioridade de cada mulher define o caminho.

A escolha reúne o sintoma predominante, as doenças associadas, os outros tratamentos em uso e suas preferências. Não é adequado iniciar, associar ou interromper esses medicamentos por conta própria.

Para escolher um tratamento não hormonal, registre durante duas semanas a frequência dos fogachos, o impacto no sono e os medicamentos em uso. Na consulta, discuta benefício esperado, efeitos adversos, interações e exames necessários, e combine uma data para reavaliar a resposta.

Manter indefinidamente uma opção que não melhora sua qualidade de vida não faz sentido. Se a resposta for insuficiente, há outras alternativas. E, se a opção hormonal voltar a ser considerada, veja também como iniciar a reposição com avaliação adequada.

Se os fogachos estão prejudicando sua rotina, agende uma consulta presencial no Campo Belo ou no Einstein Perdizes, ou faça uma consulta por telemedicina.

E se eu tive câncer de mama?

Mulheres com histórico de câncer de mama costumam ter contraindicação à terapia hormonal. Muitas também usam tamoxifeno ou inibidores de aromatase, que podem intensificar os fogachos.

Nesse cenário, as opções não hormonais ganham ainda mais importância. A escolha precisa ser coordenada com o oncologista, com atenção especial às interações. O exemplo clássico é evitar paroxetina e fluoxetina em quem usa tamoxifeno.

Principais pontos

  • Há alternativas eficazes para mulheres que não podem ou não querem usar hormônios.
  • Antes de tratar, é importante confirmar que o calor vem mesmo da menopausa.
  • A escolha depende do sintoma que mais incomoda e do seu histórico de saúde.
  • Alguns medicamentos são usados fora da indicação específica de bula, a critério médico.
  • O fezolinetanto foi registrado no Brasil em 2026 e exige monitoramento do fígado.
  • Em mulheres com excesso de peso, emagrecer pode reduzir os fogachos.
  • Hábitos saudáveis continuam importantes, sem promessa de eliminar fogachos.
  • O benefício deve ser reavaliado junto aos efeitos adversos e ao custo.

Erros comuns

Erro: achar que só existem hormônios ou resignação.
Há opções intermediárias com evidência, comportamentais e medicamentosas. A escolha pode ser compartilhada com o médico.

Erro: usar qualquer antidepressivo para fogachos.
Os estudos não se aplicam igualmente a todos os remédios da classe. Interações, especialmente com tamoxifeno, e tolerabilidade mudam a indicação.

Erro: confundir natural com inofensivo.
Suplementos podem causar efeitos adversos, inclusive no fígado, e interagir com outros remédios. Informe todos os produtos que usa à equipe médica.

Erro: ignorar os exames exigidos pelo tratamento.
Um remédio não hormonal também pode precisar de monitoramento, como acontece com o fezolinetanto. Combine o calendário de exames antes de começar.

Erro: tratar o fogacho sem investigar a causa.
Excesso de hormônio da tireoide, hipoglicemia noturna e efeitos de medicamentos imitam fogachos. Tratar o sintoma errado atrasa a solução certa.

Erro: desistir cedo ou insistir demais.
Cada opção precisa de um tempo para mostrar efeito, mas também de uma data para reavaliação. Sem esse combinado, é fácil abandonar algo que funcionaria ou manter algo que não funciona.

Perguntas frequentes

É possível tratar fogachos sem reposição hormonal?

Sim. Terapia cognitivo-comportamental, hipnose clínica, alguns antidepressivos, gabapentina, oxibutinina, fezolinetanto e perda de peso têm evidência para reduzir fogachos ou seu impacto. A escolha depende do histórico e da intensidade do incômodo. Isso não dispensa confirmar a causa dos episódios e revisar os medicamentos em uso.

Tratamento não hormonal funciona tão bem quanto hormônio?

A terapia hormonal é a opção mais eficaz para fogachos em mulheres bem selecionadas. As alternativas não hormonais podem oferecer alívio relevante quando ela não é indicada ou não é desejada. A comparação depende do remédio e do objetivo, e não existe equivalência automática entre todas as opções.

Qual a diferença entre fezolinetanto e antidepressivos para fogachos?

O fezolinetanto foi desenvolvido especificamente para fogachos e bloqueia o receptor da neurocinina B no centro de temperatura do cérebro. Os antidepressivos agem de forma mais ampla na serotonina e na noradrenalina. O fezolinetanto exige exames de fígado; os antidepressivos exigem atenção a interações, libido e retirada gradual.

Antidepressivo para fogachos significa que tenho depressão?

Não. Esses remédios também atuam nas vias cerebrais que regulam a temperatura e podem ser indicados mesmo sem diagnóstico de depressão, muitas vezes em dose menor. Ainda assim, é preciso avaliar efeitos adversos, interações e a forma de retirada, porque o nome da classe não substitui uma prescrição individualizada.

O fezolinetanto já está disponível no Brasil?

A Anvisa aprovou o registro do fezolinetanto (Veoza) em 22 de junho de 2026, para fogachos moderados a intensos da menopausa. Registro não garante estoque, cobertura ou indicação individual. O uso exige conferir a bula brasileira e organizar o acompanhamento, com atenção à segurança do fígado e às interações.

Quanto tempo duram os fogachos da menopausa?

Varia bastante. No estudo SWAN, a duração mediana dos sintomas vasomotores foi de cerca de 7 anos, e algumas mulheres convivem com eles por mais tempo. Por isso, quando os fogachos atrapalham a qualidade de vida, esperar que passem sozinhos nem sempre é a melhor estratégia.

Quem teve câncer de mama pode tratar fogachos?

Sim, e as opções não hormonais são justamente as mais usadas nesse caso. A escolha deve ser coordenada com o oncologista. Quem usa tamoxifeno deve evitar paroxetina e fluoxetina, que podem reduzir a ação do tratamento. Venlafaxina, gabapentina e terapia cognitivo-comportamental costumam ser alternativas consideradas.

Suplementos naturais e soja são uma alternativa comprovada?

Não. A evidência para soja, isoflavonas, cimicífuga e outros fitoterápicos é inconsistente, e a composição varia entre produtos. Alguns podem interagir com remédios ou afetar o fígado. Leve nomes e rótulos à consulta antes de iniciar qualquer suplemento ou combinação.

Quando procurar um especialista?

Procure avaliação quando calor e suor noturno prejudicam sono, trabalho ou qualidade de vida, ou quando você quer comparar opções de tratamento. Febre, perda de peso inexplicada ou sintomas atípicos exigem investigação. Mulheres com histórico de câncer ou que usam muitos medicamentos precisam de coordenação entre as equipes.

Cuide da sua saúde com orientação individual

Fogacho não é algo que você precise apenas aguentar. Existem caminhos seguros, e o melhor deles depende da sua história.

Agende uma consulta presencial no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.

Mora longe ou tem pouco tempo? Faça sua consulta por telemedicina, quando apropriado. Você também encontra outros conteúdos nos materiais educativos.


Este artigo foi escrito pelo Dr. Rodrigo Bomeny, endocrinologista e metabologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência no Hospital das Clínicas da USP e aproximadamente 20 anos de experiência clínica em diabetes, obesidade e doenças metabólicas. CRM-SP 129869 | RQE 60562.

Conteúdo educativo atualizado em 7 de outubro de 2026. Não substitui avaliação médica individual.

Referências

  1. The North American Menopause Society. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023;30(6):573-590.
  2. Lederman S, Ottery FD, Cano A, et al. Fezolinetant for treatment of moderate-to-severe vasomotor symptoms associated with menopause (SKYLIGHT 1): a phase 3 randomised controlled study. Lancet. 2023.
  3. Pinkerton JV, Simon JA, Joffe H, et al. Elinzanetant for the treatment of vasomotor symptoms associated with menopause: OASIS 1 and 2 randomized clinical trials. JAMA. 2024.
  4. Joffe H, Guthrie KA, LaCroix AZ, et al. Low-dose estradiol and the serotonin-norepinephrine reuptake inhibitor venlafaxine for vasomotor symptoms: a randomized clinical trial. JAMA Intern Med. 2014.
  5. Avis NE, Crawford SL, Greendale G, et al. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition. JAMA Intern Med. 2015.
  6. Lumsden MA, Dekkers OM, Faubion SS, et al. European Society of Endocrinology clinical practice guideline for evaluation and management of menopause and the perimenopause. 2025.
  7. Anvisa. Anvisa autoriza medicamento não hormonal que trata sintomas da menopausa. 2026.
  8. FDA. FDA adds warning about rare occurrence of serious liver injury with use of Veozah (fezolinetant). 2024.

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