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Tirzepatida (Mounjaro): como funciona, para quem é indicada e o que esperar

Tirzepatida: entenda como o Mounjaro age no corpo, quem pode usar e o que muda ao longo do tratamento

Resumo rápido

  • A tirzepatida (Mounjaro) é uma injeção semanal que imita dois hormônios intestinais ao mesmo tempo, o GIP e o GLP-1. Por isso é chamada de agonista duplo.
  • Ela reduz a fome, aumenta a saciedade, retarda o esvaziamento do estômago e melhora a ação da insulina. O principal efeito sobre o peso vem do apetite.
  • Nos estudos SURMOUNT, a perda média de peso em 72 semanas foi de cerca de 15% a 21%, conforme a dose. No diabetes tipo 2, a hemoglobina glicada caiu em torno de 2 pontos.
  • No Brasil, a Anvisa aprovou o uso para diabetes tipo 2 e, desde junho de 2025, para obesidade e sobrepeso com doença associada.
  • O tratamento começa com 2,5 mg e sobe gradualmente. Quem interrompe costuma recuperar boa parte do peso, o que faz da tirzepatida um tratamento de longo prazo, não um curso de poucos meses.

Poucas vezes vi um medicamento mudar tanto a conversa no consultório quanto a tirzepatida. Pacientes que acompanho há anos, que já tinham tentado de tudo, chegam hoje perguntando como a tirzepatida funciona e se "a caneta" serve para eles. Outros chegam assustados com histórias de efeitos colaterais ou com medo de "perder músculo". E muitos chegam já usando, sem orientação, porque um conhecido indicou.

Entender como a tirzepatida funciona é o primeiro passo para usá-la bem. Ela não é um remédio que "queima gordura" nem um atalho que dispensa o resto do tratamento. É uma ferramenta poderosa que age no ponto mais difícil do emagrecimento, o apetite, e que exige acompanhamento para render o que promete.

Neste artigo, explico o mecanismo da tirzepatida, o que os grandes estudos mostraram, para quem ela está indicada no Brasil, como é o esquema de doses, quais efeitos adversos esperar e o que acontece quando o tratamento é interrompido. Também reúno aqui os links para os artigos em que aprofundo cada dúvida específica.

O que Você Precisa Saber

A tirzepatida age em dois receptores, e não em um. A semaglutida (Ozempic, Wegovy) imita apenas o GLP-1. A tirzepatida imita o GLP-1 e também o GIP, outro hormônio intestinal que participa do controle da insulina e do apetite. Essa dupla ação parece explicar por que, nos estudos comparativos, ela produziu maior perda de peso e maior queda da glicemia.

O efeito principal é sobre a fome, não sobre o metabolismo. Quem usa a tirzepatida come menos porque sente menos fome, fica satisfeito com porções menores e pensa menos em comida. O gasto de energia não aumenta. Isso importa porque explica tanto o sucesso do medicamento quanto o reganho de peso quando ele é suspenso.

Os resultados são os maiores já vistos com um medicamento para obesidade. No SURMOUNT-1, com pessoas com obesidade sem diabetes, a perda média em 72 semanas foi de 15% com 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, contra cerca de 3% com placebo. No SURMOUNT-5, comparada diretamente com a semaglutida 2,4 mg, a tirzepatida levou a perda média de 20,2% contra 13,7%.

A indicação é médica e o acompanhamento é parte do tratamento. A tirzepatida é aprovada para diabetes tipo 2 e para obesidade ou sobrepeso com doença associada. Não é indicada para quem quer perder "três ou quatro quilos" estéticos, para gestantes, nem para quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide. Decidir dose, ritmo de aumento, proteína, treino e exames é trabalho conjunto entre médico e paciente.

Como a tirzepatida funciona: duas chaves para duas fechaduras

Costumo explicar hormônios com a analogia da chave e da fechadura. Cada hormônio é uma chave; cada receptor, uma fechadura em alguma célula. Quando a chave entra, a célula executa uma ação.

Definição rápida — GLP-1: hormônio produzido pelo intestino após as refeições. Avisa o pâncreas para liberar insulina quando a glicose sobe, reduz a velocidade com que o estômago esvazia e sinaliza saciedade ao cérebro.

Definição rápida — GIP: outro hormônio intestinal liberado com a comida. Também estimula a insulina e, no cérebro e no tecido adiposo, participa do controle do apetite e do uso da gordura. Seu papel ficou mais claro justamente com a tirzepatida.

A tirzepatida é uma única molécula desenhada para encaixar nas duas fechaduras, a do GLP-1 e a do GIP. Depois de injetada sob a pele, ela permanece no corpo por cerca de cinco dias, o que permite a aplicação uma vez por semana.

O que acontece quando as duas chaves giram ao mesmo tempo:

No cérebro, a fome diminui e a saciedade aumenta. Pacientes descrevem como "a comida parou de gritar". A vontade de beliscar cai, a porção que satisfaz fica menor e o interesse por alimentos muito calóricos diminui.

No estômago, o esvaziamento fica mais lento. A refeição permanece mais tempo, o que prolonga a sensação de estar cheio. Esse mesmo efeito explica náusea, empachamento e intestino preso, sobretudo nas primeiras semanas e a cada aumento de dose.

No pâncreas, a insulina é liberada de forma mais eficiente quando a glicose sobe, e o glucagon, hormônio que eleva a glicose, é freado. Como isso só ocorre na presença de glicose alta, a tirzepatida sozinha raramente causa hipoglicemia.

Nos tecidos, a sensibilidade à insulina melhora, em parte pela perda de gordura e em parte por ação direta. Isso reduz a gordura no fígado e melhora triglicérides e pressão.

Perceba que nenhum desses mecanismos "queima" gordura. A gordura é perdida porque o corpo passa a receber menos energia do que gasta, de forma sustentada e sem a luta diária contra a fome. É isso que diferencia esse tratamento das dietas restritivas: elas pedem força de vontade contra um apetite aumentado; a tirzepatida diminui o apetite.

O que os estudos mostraram: SURMOUNT e SURPASS

Dois programas de pesquisa sustentam o uso da tirzepatida. O SURPASS avaliou pessoas com diabetes tipo 2. O SURMOUNT avaliou pessoas com obesidade ou sobrepeso, com e sem diabetes.

No SURMOUNT-1, com mais de 2.500 adultos com obesidade sem diabetes, a perda média de peso em 72 semanas foi de 15% com tirzepatida 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, contra 3,1% com placebo. Mais da metade dos participantes nas doses de 10 e 15 mg perdeu pelo menos 20% do peso inicial.

Esses números são médias: algumas pessoas perdem 30%, outras 8%. E a curva não é linear: a perda é mais rápida nos primeiros seis meses, desacelera depois e tende a se estabilizar entre 12 e 18 meses. Esse platô é esperado, e já escrevi sobre ele no artigo sobre o efeito platô.

Em pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade, estudadas no SURMOUNT-2, a perda de peso foi menor, em torno de 13% a 15%, o que é comum com qualquer tratamento para emagrecer nessa população.

No programa SURPASS, voltado ao diabetes, a hemoglobina glicada caiu em torno de 2 pontos percentuais com as doses de 5 a 15 mg. No SURPASS-2, comparada à semaglutida 1 mg, a tirzepatida levou a maior redução da glicada e a maior perda de peso em todas as doses. Grande parte dos participantes atingiu glicada abaixo de 7%, e uma parcela relevante chegou a valores na faixa de quem não tem diabetes.

Veja que esses resultados não vêm do medicamento isolado. Em todos os estudos, os participantes recebiam orientação alimentar e de atividade física. O remédio potencializa o tratamento; não o substitui.

Para quem a tirzepatida é indicada no Brasil

A Anvisa aprovou a tirzepatida inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, como complemento à alimentação e à atividade física. Em junho de 2025, a agência ampliou a indicação para o controle do peso em adultos com:

  • índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou
  • IMC igual ou superior a 27 kg/m² com pelo menos uma doença relacionada ao peso, como hipertensão, pré-diabetes, diabetes tipo 2, colesterol ou triglicérides alterados, apneia do sono ou doença cardiovascular.

Definição rápida — IMC: o peso dividido pela altura ao quadrado. É uma medida de triagem, útil para a população, mas insuficiente para decidir o tratamento de uma pessoa. No consultório, avalio também cintura, composição corporal, exames e histórico.

Na minha prática, a indicação vai além do número do IMC. Considero a tirzepatida para quem tem obesidade ou sobrepeso com consequências metabólicas, já tentou as mudanças de base e não conseguiu resultado suficiente, e tem condições de manter acompanhamento. Explico a lógica geral do tratamento no artigo sobre tratamento para obesidade, e o panorama dos medicamentos disponíveis em novidades no tratamento da obesidade.

Quem não deve usar:

  • gestantes, mulheres que planejam engravidar nos próximos meses e lactantes;
  • pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou com neoplasia endócrina múltipla tipo 2;
  • quem já teve pancreatite, salvo avaliação cuidadosa caso a caso;
  • pessoas com diabetes tipo 1, para quem o medicamento não foi aprovado;
  • quem tem transtorno alimentar ativo sem acompanhamento, ou peso normal com objetivo apenas estético.

Doenças da tireoide comuns, como hipotireoidismo ou nódulos benignos, não impedem o uso. Explico essa dúvida frequente em Mounjaro, hipotireoidismo e nódulo de tireoide.

Como é o esquema de doses

A tirzepatida vem em canetas de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg, aplicadas uma vez por semana sob a pele do abdome, da coxa ou do braço, em qualquer horário, com ou sem alimento.

O esquema padrão é:

Semanas 1 a 4: 2,5 mg. Esta é uma dose de adaptação. Ela tem pouco efeito sobre o peso e serve para o corpo se acostumar, reduzindo náusea e outros sintomas digestivos.

A partir da semana 5: 5 mg. Primeira dose de tratamento. Muitas pessoas já percebem queda importante do apetite.

Aumentos de 2,5 mg a cada 4 semanas ou mais, conforme resposta e tolerância, até 15 mg. As doses de manutenção habituais são 5 mg, 10 mg e 15 mg.

Dois pontos que repito sempre. Primeiro, a dose certa é a menor que produz o resultado esperado com efeitos toleráveis, e não necessariamente a máxima. Segundo, o intervalo de quatro semanas entre aumentos é um mínimo, não uma obrigação. Se a náusea está incômoda, esperar mais tempo é o caminho correto.

Efeitos adversos: o que é comum e o que é raro

A maioria dos efeitos adversos da tirzepatida é digestiva, leve a moderada, e ocorre nos primeiros meses ou após aumento de dose.

Comuns: náusea (o mais frequente, relatado por cerca de um quarto a um terço dos participantes nos estudos), diarreia, intestino preso, vômitos, empachamento, arrotos, refluxo e queda do apetite maior do que a desejada. Em geral, melhoram em dias a poucas semanas. Comer porções menores, mastigar devagar, evitar frituras e parar de comer ao primeiro sinal de saciedade ajudam muito. Sobre o intestino preso, que incomoda bastante gente, escrevi em Ozempic, Mounjaro e intestino preso.

Menos comuns: reação no local da aplicação, queda de cabelo transitória (ligada à velocidade do emagrecimento, não ao remédio em si), tontura, cansaço e hipoglicemia em quem usa insulina ou sulfonilureia junto. Nesses casos, a dose dos outros medicamentos costuma precisar de ajuste.

Raros, mas que exigem atenção: pancreatite (dor forte e persistente na parte alta do abdome, às vezes irradiando para as costas, com náusea e vômitos), problemas de vesícula como cálculos e colecistite, mais frequentes em emagrecimentos rápidos, e desidratação com piora da função renal em quem tem vômitos ou diarreia intensos.

Alerta de tireoide: em roedores, a tirzepatida causou tumores de células C da tireoide. Em humanos, esse efeito não foi demonstrado, mas por precaução o medicamento é contraindicado para quem tem histórico de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Um cuidado prático frequentemente esquecido: por lentificar o estômago, a tirzepatida pode reduzir a absorção de anticoncepcionais orais nas primeiras semanas e após cada aumento de dose. Explico o que fazer em Mounjaro e anticoncepcional. E, antes de cirurgias ou endoscopias, o medicamento pode precisar de pausa por causa do esvaziamento lento, como detalho em Mounjaro, Ozempic, cirurgia e endoscopia.

Massa muscular: o cuidado que começa no primeiro dia

Toda perda de peso leva embora gordura e também parte da massa magra. Isso acontece com dieta, com cirurgia bariátrica e com medicamentos. O que muda com a tirzepatida é a escala: perdas de 20% do peso em um ano e meio, sem o devido cuidado, podem significar perda de músculo em quantidade relevante, sobretudo em pessoas acima de 60 anos ou já sedentárias.

Por isso, no consultório, não começo a tirzepatida sem antes conversar sobre duas prioridades. Como costumo dizer, não existe equilíbrio, existe prioridade.

Proteína em todas as refeições. Quando o apetite cai, a pessoa tende a comer pouco e, sem perceber, comer pouco de tudo, inclusive de proteína. Oriento a começar a refeição pela proteína e usar a Relação Proteína|Energia como guia: quando o volume que cabe é menor, a proporção de proteína naquele volume precisa ser maior.

Treino de força. Musculação, duas a três vezes por semana, é o estímulo que avisa o corpo para preservar músculo enquanto a gordura vai embora. Caminhada é ótima para o coração, mas não substitui esse estímulo.

Também acompanho a composição corporal ao longo do tratamento. Detalho tudo isso em Mounjaro e perda de massa muscular.

O que acontece ao parar: a lição do SURMOUNT-4

Esta é, talvez, a conversa mais importante antes de iniciar o tratamento.

No estudo SURMOUNT-4, todos os participantes usaram tirzepatida por 36 semanas e perderam, em média, cerca de 21% do peso. Depois, metade continuou o medicamento e metade passou a receber placebo. Em um ano, quem interrompeu recuperou, em média, cerca de 14% do peso, enquanto quem manteve o tratamento continuou perdendo um pouco mais.

Veja que isso não é "vício" nem falha do remédio. É o apetite voltando ao ponto em que estava, agora num corpo que perdeu peso e cujos mecanismos de defesa estão ativos. É exatamente o que acontece quando alguém para uma dieta bem-sucedida, só que de forma mais visível.

Na prática, isso significa que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, assim como hipertensão ou diabetes. Em alguns pacientes, após a perda, é possível reduzir a dose ou espaçar as aplicações, mantendo o peso com uma base sólida de hábitos. Em outros, a dose plena é necessária por tempo indefinido. Isso se decide ao longo do acompanhamento, não antes de começar.

O que não recomendo é parar por conta própria "porque já emagreci" ou "porque o peso estabilizou". Nos dois casos, o resultado mais provável é o reganho.

Tirzepatida ou semaglutida: qual a diferença?

A semaglutida (Ozempic para diabetes, Wegovy para obesidade) foi o primeiro medicamento dessa nova geração e continua sendo excelente. A tirzepatida acrescentou o segundo receptor, o GIP, e os estudos comparativos mostraram vantagem.

No SURMOUNT-5, com 751 adultos com obesidade sem diabetes, a tirzepatida levou a perda média de 20,2% do peso em 72 semanas, contra 13,7% com a semaglutida 2,4 mg. A redução da cintura também foi maior. Os efeitos adversos foram semelhantes em tipo e frequência, predominantemente digestivos.

Isso não significa que a tirzepatida seja sempre a escolha. A semaglutida tem mais tempo de uso e estudos de proteção cardiovascular já publicados em pessoas com obesidade, o que pesa para quem tem doença cardiovascular estabelecida. Disponibilidade, tolerância individual e preferência do paciente também entram na conta.

Como é o acompanhamento no consultório

Antes de iniciar, peço exames de base: glicemia e hemoglobina glicada, perfil lipídico, função renal e hepática, TSH e, conforme o caso, composição corporal. Reviso os medicamentos em uso, sobretudo insulina, sulfonilureias e anticoncepcionais. Nas primeiras semanas, o contato é mais próximo para ajustar a dose e manejar sintomas digestivos; depois, as consultas se espaçam, sempre avaliando peso, cintura, composição corporal, sintomas e exames.

A meta não é só o número da balança. É a melhora da glicemia, da pressão, da gordura no fígado, da apneia e da relação da pessoa com a comida. Quando esses objetivos são alcançados, a conversa passa a ser sobre manutenção.

Principais Pontos

  • A tirzepatida imita dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP, e por isso é chamada de agonista duplo.
  • O efeito principal é a redução da fome e o aumento da saciedade; o medicamento não "acelera o metabolismo".
  • No SURMOUNT-1, a perda média de peso em 72 semanas foi de 15% a 21%, conforme a dose; no diabetes tipo 2, a hemoglobina glicada caiu cerca de 2 pontos.
  • No Brasil, é aprovada para diabetes tipo 2 e, desde 2025, para obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) com doença associada.
  • O esquema começa com 2,5 mg por quatro semanas e sobe de 2,5 mg a cada quatro semanas ou mais, até no máximo 15 mg.
  • Náusea, diarreia e intestino preso são comuns e transitórios; pancreatite e problemas de vesícula são raros, mas exigem atenção.
  • Proteína em todas as refeições e treino de força desde o início protegem a massa muscular.
  • Interromper o tratamento leva a reganho na maioria das pessoas; a obesidade deve ser tratada como doença crônica.

Erros Comuns

Erro: começar sem indicação médica porque "um conhecido usou"
A tirzepatida tem indicações definidas e contraindicações importantes. Usar sem avaliação expõe a riscos desnecessários e, com frequência, a resultados ruins por falta de ajuste de dose e de orientação.

Erro: subir a dose rápido demais
O intervalo mínimo entre aumentos é de quatro semanas, e muita gente precisa de mais tempo. Subir rápido aumenta náusea e vômitos e leva ao abandono do tratamento.

Erro: comer pouco de tudo, inclusive proteína
Com a fome reduzida, é fácil fazer refeições pequenas e pobres em proteína. O resultado é perda de músculo, cansaço e queda de cabelo. A proteína precisa ser a prioridade da refeição.

Erro: achar que a dose máxima é sempre a melhor
A dose correta é a que produz o resultado esperado com boa tolerância. Muitas pessoas se mantêm muito bem em 5 ou 10 mg.

Erro: parar quando o peso estabiliza
O platô entre 12 e 18 meses é esperado e representa um novo equilíbrio. Suspender o medicamento nesse ponto costuma transformar manutenção em reganho.

Erro: ignorar os avisos sobre anticoncepcional e procedimentos
O esvaziamento lento do estômago interfere na absorção de anticoncepcionais orais e exige cuidados antes de cirurgias e endoscopias. Esses detalhes precisam ser discutidos antes do início.

Perguntas Frequentes

Em quanto tempo a tirzepatida começa a fazer efeito?
A redução do apetite costuma ser percebida já nas primeiras semanas, mesmo na dose de 2,5 mg. A perda de peso mais consistente aparece a partir da dose de 5 mg e é mais rápida nos primeiros seis meses. A curva desacelera depois e tende a se estabilizar entre 12 e 18 meses, dependendo da dose e da resposta individual.

Quanto peso vou perder com o Mounjaro?
Nos estudos, a perda média em 72 semanas variou de 15% a 21% do peso inicial conforme a dose, mas a variação individual é grande. Fatores como presença de diabetes, dose tolerada, adesão à proteína e ao treino, sono e outros medicamentos influenciam o resultado. Não é possível prometer um número antes de começar.

A tirzepatida causa perda de massa muscular?
Toda perda de peso leva embora parte da massa magra, e isso vale para a tirzepatida. O risco é maior em perdas rápidas, em pessoas mais velhas e em quem come pouca proteína ou não treina força. Com proteína adequada em cada refeição e musculação regular, é possível preservar a maior parte do músculo enquanto a gordura diminui.

Posso usar tirzepatida se tenho hipotireoidismo ou nódulo na tireoide?
Na maioria dos casos, sim. Hipotireoidismo tratado e nódulos benignos não contraindicam o uso. A contraindicação é para histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo raro, e para a neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Avalio a tireoide antes de iniciar e acompanho ao longo do tratamento.

Preciso usar para sempre?
A obesidade é uma doença crônica, e os estudos mostram que a interrupção leva a reganho na maioria das pessoas. Isso não significa que todos precisarão da dose máxima por toda a vida. Em alguns pacientes, após o resultado, é possível reduzir a dose ou espaçar as aplicações mantendo os hábitos. Essa decisão é individual e se constrói ao longo do acompanhamento.

Qual a diferença entre Mounjaro e Ozempic?
O Ozempic contém semaglutida, que age apenas no receptor de GLP-1. O Mounjaro contém tirzepatida, que age nos receptores de GLP-1 e de GIP. Nos estudos comparativos, a tirzepatida produziu maior perda de peso e maior queda da glicada. A semaglutida, por outro lado, tem mais tempo de uso e estudos cardiovasculares já consolidados em pessoas com obesidade.

A tirzepatida causa hipoglicemia?
Usada sozinha, raramente. Ela estimula a insulina apenas quando a glicose está alta. O risco aumenta quando é combinada com insulina ou sulfonilureias, e nesses casos a dose desses medicamentos costuma precisar de redução. Quem tem diabetes deve monitorar a glicemia com mais atenção nas primeiras semanas.

O que fazer se eu esquecer uma dose?
Se passaram até quatro dias da data prevista, aplique a dose assim que lembrar e mantenha o dia habitual na semana seguinte. Se passaram mais de quatro dias, pule a dose e aplique no dia habitual. Nunca aplique duas doses para compensar. Após pausas longas, pode ser necessário reiniciar em dose menor.

Cuide do seu tratamento com acompanhamento individual

Se você tem obesidade, sobrepeso com doença associada ou diabetes tipo 2 e quer saber se a tirzepatida faz sentido para o seu caso, ou se já usa e precisa de orientação sobre dose, efeitos e preservação de massa muscular, vale uma avaliação completa.

Consulta presencial: agende sua consulta com o Dr. Rodrigo Bomeny no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.

Telemedicina: se você está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, conheça a consulta por telemedicina, quando apropriado.


Este artigo foi escrito pelo Dr. Rodrigo Bomeny, endocrinologista e metabologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência no Hospital das Clínicas da USP e aproximadamente 20 anos de experiência clínica em diabetes, obesidade e doenças metabólicas. CRM-SP 129869 | RQE 60562.

Conteúdo educativo publicado em 19 de outubro de 2026. Não substitui avaliação individual.

Referências

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  2. Garvey WT, Frias JP, Jastreboff AM, et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity in people with type 2 diabetes (SURMOUNT-2): a double-blind, randomised, multicentre, placebo-controlled, phase 3 trial. Lancet. 2023;402(10402):613-626. doi:10.1016/S0140-6736(23)01200-X.
  3. Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331(1):38-48. doi:10.1001/jama.2023.24945.
  4. Aronne LJ, Horn DB, le Roux CW, et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-5). N Engl J Med. 2025;393(1):26-36.
  5. Frías JP, Davies MJ, Rosenstock J, et al. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes (SURPASS-2). N Engl J Med. 2021;385(6):503-515. doi:10.1056/NEJMoa2107519.
  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Bula do medicamento Mounjaro (tirzepatida) e registro da indicação para controle crônico do peso, junho de 2025.
  7. American Diabetes Association Professional Practice Committee. Standards of Care in Diabetes—2025. Diabetes Care. 2025;48(Suppl 1).
  8. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes Brasileiras de Obesidade. Edição atual.
  9. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. Edição atual.

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