Posso trocar a marca da levotiroxina (Puran T4, Synthroid, Euthyrox, Levoid)? Genérico, similar e referência
Levotiroxina genérica funciona? O que a farmácia pode trocar e quando refazer o TSH
Resumo rápido
- Todas as marcas têm o mesmo hormônio, mas a fabricação pode mudar o TSH.
- Em novembro de 2026, há genérico e similar intercambiável registrados na Anvisa.
- A farmácia pode trocar a referência por eles, salvo veto do médico.
- Trocou? Avise o médico e refaça o TSH de 6 a 8 semanas depois.
- O ideal é manter o mesmo produto.
Imagine uma mulher de 58 anos que toma levotiroxina há dez anos, com o TSH estável. A farmácia oferece o genérico. É o mesmo remédio? Pode trocar?
Veja que as duas respostas são "sim", mas a margem é estreita. O cálculo da dose está em dose de levotiroxina; aqui, o foco é a farmácia.
O que Você Precisa Saber
Mesmo hormônio, comprimidos diferentes. Mudam os outros ingredientes e a forma de liberar o hormônio.
A margem é estreita. Um passo de 12,5 microgramas já move o TSH.
A troca é permitida, mas não é neutra. O TSH mostra se o seu corpo percebeu.
A marca se decide com o médico. Na minha visão, vale manter o mesmo produto e trocar só quando preciso, com um TSH depois.
Referência, genérico e similar: o que cada palavra quer dizer
Pense assim: padarias diferentes, mesma farinha; o pão sai parecido, não idêntico.
o produto que a Anvisa adota como padrão; genéricos e similares intercambiáveis são comparados com ele.
O genérico tem o mesmo princípio ativo, dose e forma da referência e precisa provar bioequivalência (Lei nº 9.787, de 1999). O similar tem nome comercial; pela RDC nº 58, de 2014, o que teve estudos de equivalência aprovados é intercambiável com a referência, e a bula diz: "medicamento similar equivalente ao medicamento de referência".
prova de que dois produtos põem no sangue a mesma quantidade de remédio, na mesma velocidade, dentro de uma margem estatística.
A levotiroxina no Brasil em novembro de 2026
Em novembro de 2026, pelas bulas aprovadas pela Anvisa:
- Genérico: levotiroxina sódica da Merck, de 25 a 200 microgramas, bula de dezembro de 2024.
- Levotiroxina (Euthyrox): similar equivalente ao de referência; desde novembro de 2022, com manitol e ácido cítrico no lugar da lactose e sem sulco (carta do fabricante, no portal da Anvisa).
- Levotiroxina (Puran T4): de 12,5 a 300 microgramas, com doses como 37,5 e 62,5.
- Levotiroxina (Synthroid): a bula cita janela terapêutica estreita e pede monitoramento rigoroso na troca; tem 137 microgramas.
- Levotiroxina (Levoid): outra marca à venda.
A referência e os similares intercambiáveis constam na consulta de medicamentos da Anvisa.
O que a farmácia pode trocar
Pela RDC nº 16, de 2007, o farmacêutico pode trocar o remédio receitado pelo genérico, salvo restrição expressa do médico, e anota a troca na receita. A RDC nº 58 estendeu a troca ao similar intercambiável.
- Receita com "levotiroxina sódica": referência ou genérico.
- Receita com o nome da referência: genérico ou similar intercambiável.
- Genérico e similar: cada um foi comparado com a referência, não entre si.
Por que a levotiroxina pede mais cuidado
Pela regra geral, lembrada em 2011 num artigo do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o remédio no sangue deve ficar entre 80% e 125% do original, numa conta estatística. Mas o corpo já fabrica T4, e, sem descontá-lo, produtos diferentes parecem iguais, alertaram em 2004 sociedades americanas de tireoide e de endocrinologia. E de 137 para 150 microgramas são só 9%, o bastante para mudar o TSH.
Para a levotiroxina, a agência europeia de medicamentos (EMA) exige, desde 2021, estudo com dose única de 600 microgramas, desconto do T4 que o corpo já produz e margem mais estreita, de 90% a 111%, para o hormônio no sangue, por considerá-la remédio de dose crítica.
O que os estudos e as diretrizes dizem
Num estudo americano de 2020, entre adultos que começaram levotiroxina, o TSH chegou ao normal em 3 meses em 75,4% com genérico e em 76,9% com marca. Em 2022, em 2.780 pares, quem trocou de fabricante de genérico teve TSH normal em 84,5%, contra 82,7% de quem não trocou.
Na França, após a Merck mudar a fórmula do comprimido em 2017, a agência francesa estudou mais de 2 milhões de pessoas: sem mais internações nem mortes, mas com 31% mais exames de TSH.
Perceba: a média esconde quem sente. Na carta de 2022, a Merck admite que a absorção "pode diferir entre as formulações em alguns indivíduos suscetíveis". Por isso, a Associação Americana de Tireoide (ATA, 2014) recomenda evitar trocas entre fabricantes, e a Associação Médica Brasileira com a SBEM (2011), "manter o paciente com a mesma apresentação comercial"; veja tratamento do hipotireoidismo.
O cuidado pesa mais em:
- Gestantes. Pela ATA de 2026, a meta antes de engravidar é TSH de 0,5 a 2,5 mUI/L, e a dose sobe cerca de 25% no teste positivo; na gestação, o alvo é a faixa do trimestre (0,5 a 2,5 para quem tratava infertilidade ou teve abortos de repetição). Evite trocar; veja TSH na gravidez.
- Sem tireoide ou com câncer de tireoide. Todo o hormônio vem do comprimido (vida sem tireoide), e no câncer papilífero a meta de TSH segue a resposta ao tratamento.
Trocar de marca: o que fazer em cada situação
| Situação | Trocar? | O que fazer |
|---|---|---|
| Dose estável, TSH na meta | Pode, se preciso | Avise o médico; TSH de 6 a 8 semanas depois |
| Farmácia ofereceu outro produto | Permitido, salvo veto | Peça o de sempre ou anote nome e laboratório |
| Gestação, câncer de tireoide ou sem tireoide | Evite | Se trocar, avise já; na gestação, TSH no calendário dela |
| Idoso ou cardiopata | Evite trocas repetidas | TSH baixo demais favorece arritmia; palpitação, avise |
| Sua marca faltou | Melhor trocar que ficar sem | Mantenha o novo produto; TSH de 6 a 8 semanas depois |
Na prática: como trocar com segurança
- Confira a caixa: nome, laboratório e dose em microgramas, não a cor; leve-a, ou uma foto, à consulta.
- Não parta sem orientação: as bulas da levotiroxina (Puran T4), da (Synthroid) e do genérico desaconselham; a nova levotiroxina (Euthyrox) nem tem sulco.
- Guarde entre 15 e 30 °C, longe da luz e da umidade, na embalagem original.
- Uma mudança por vez: marca, dose e horário não mudam juntos.
TSH mudou? Antes de culpar a marca, confira café, cálcio, ferro e omeprazol (como tomar levotiroxina) e a biotina, que falseia o exame.
Faltou a sua marca na farmácia
Não fique sem: o hormônio dura cerca de uma semana no corpo; um dia sem comprimido não muda o TSH, vários sim. Leve a mesma dose de outro produto, mantenha-o e avise o médico. Fórmula manipulada sem padronização de dose não substitui os comprimidos registrados: não há garantia de equivalência.
Não existe equilíbrio, existe prioridade: primeiro a constância, depois a marca. A visão geral está em tratamento para hipotireoidismo com endocrinologista em São Paulo.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Levotiroxina genérica funciona igual à de marca?
Funciona. O genérico tem o mesmo hormônio e a mesma dose e provou bioequivalência. Num estudo americano de 2020, com mais de 17 mil adultos, o TSH chegou ao normal em proporção semelhante com genérico e com marca. O cuidado está na troca: em parte das pessoas, ela muda o TSH.
- Levotiroxina (Puran T4) e levotiroxina genérica são o mesmo remédio?
São. Levotiroxina é o hormônio, o T4 sintético; as marcas (Puran T4, Synthroid, Euthyrox, Levoid) e o genérico, que leva só o nome do princípio ativo, são versões dele. Muda a fabricação, que pode alterar um pouco a absorção; por isso, quem está bem com um produto costuma ficar nele.
- Qual é a melhor marca de levotiroxina (Puran T4, Euthyrox, Synthroid, Levoid)?
Nenhum estudo mostrou uma marca superior. A melhor costuma ser a que você já usa, com o TSH na meta, e consegue encontrar sempre. Doses especiais pesam: 37,5 e 62,5 microgramas aparecem na bula da levotiroxina (Puran T4), e 137, na da levotiroxina (Synthroid). A escolha se faz com o médico.
- A farmácia trocou a minha levotiroxina. O que eu faço?
A farmácia pode trocar a referência pelo genérico ou pelo similar intercambiável, se o médico não vetou na receita, e precisa anotar a troca. Confira nome, laboratório e dose em microgramas. Se aceitou, mantenha o novo produto, avise o médico e refaça o TSH de 6 a 8 semanas depois.
- Existe levotiroxina genérica no Brasil?
Existe. Em novembro de 2026, há levotiroxina sódica genérica registrada na Anvisa pela Merck, de 25 a 200 microgramas, com a frase "Medicamento genérico, Lei nº 9.787, de 1999" na bula. A referência com que ela foi comparada e os similares intercambiáveis constam na consulta de medicamentos da Anvisa, aberta ao público.
- Levotiroxina similar é intercambiável?
Depende do similar. Pela RDC nº 58, de 2014, só é intercambiável o que teve estudos de equivalência aprovados pela Anvisa; a bula traz "medicamento similar equivalente ao medicamento de referência", como a da levotiroxina (Euthyrox). A prova foi feita contra a referência, não contra o genérico ou outro similar.
- Existe levotiroxina 137 mcg genérica?
Nas bulas consultadas em novembro de 2026, o genérico vai de 25 a 200 microgramas, sem 137; essa dose aparece na bula da levotiroxina (Synthroid). Quem usa 137 e precisa trocar não deve improvisar partindo comprimidos: a nova combinação se define com o médico, com TSH de 6 a 8 semanas depois.
- Depois de trocar de marca, quando refazer o TSH?
De 6 a 8 semanas depois, o tempo para o exame refletir a mudança; antes, ele ainda mostra o produto anterior. Na gestação, vale o calendário próprio: TSH a cada 4 semanas até a metade, pela ATA de 2026. Palpitação, insônia ou cansaço forte antes disso pedem contato com o médico.
Mantenha o seu tratamento com orientação individual
Consulta presencial: agende sua consulta com o Dr. Rodrigo Bomeny no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.
Cuide da sua saúde com orientação individual
Telemedicina: se você está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, conheça a consulta por telemedicina, quando apropriado.

Referências
- Brasil. Lei nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999 (Lei dos Genéricos). Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 16, de 2 de março de 2007, Anexo I (prescrição, dispensação e substituição). Resolução RDC nº 58, de 10 de outubro de 2014 (intercambialidade de medicamentos similares).
- Merck S.A. Carta aos profissionais de saúde sobre a nova formulação da levotiroxina sódica (Euthyrox). Rio de Janeiro, 2 de setembro de 2022. Publicada no portal da Anvisa.
- Bulas brasileiras aprovadas pela Anvisa: levotiroxina sódica genérico (Merck, registro MS 1.0089.0416, aprovada em 9/12/2024); levotiroxina (Euthyrox; Merck, MS 1.0089.0202); levotiroxina (Puran T4; Sanofi Medley, MS 1.8326.0353, aprovada em 3/7/2023); levotiroxina (Synthroid; Abbott, MS 1.0553.0329, aprovada em 19/11/2021). Consultadas em novembro de 2026.
- American Association of Clinical Endocrinologists, The Endocrine Society, American Thyroid Association. Joint Position Statement on the Use and Interchangeability of Thyroxine Products. 8 de dezembro de 2004. Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the treatment of hypothyroidism: prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid. 2014;24(12):1670-1751. doi:10.1089/thy.2014.0028.
- European Medicines Agency. Levothyroxine tablets: product-specific bioequivalence guidance. EMA/CHMP, adotada em 10/12/2020, em vigor desde 1/7/2021.
- Ward LS. Levotiroxina e o problema da permutabilidade de drogas de estreito intervalo terapêutico. Arq Bras Endocrinol Metab. 2011;55(7):429-434. Associação Médica Brasileira, Agência Nacional de Saúde Suplementar, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, et al. Hipotireoidismo: tratamento. Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar. 2011.
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