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Como aprender a lidar com os furos na dieta

Quantas vezes você já desistiu de uma dieta ao cometer um “furo”? É nesse ponto que a maioria das pessoas desistem, pois criam uma expectativa muito alta, por imaginar que o plano será seguido totalmente à risca.

Porém, é preciso aprender a lidar com o furo para que os resultados ocorram. A reeducação alimentar, assim como outros aspectos em nossa vida, é passível de falhas.

Se trouxermos esse cenário para outras situações, como trabalho, filhos e cuidado com a casa, é muito difícil que você atinja sempre a perfeição e que não erre nunca, certo? Com a alimentação isso não é diferente.

Neste artigo, você vai conferir como lidar bem com essa situação!

O que é necessário para ter resultado com a reeducação alimentar?

Para que uma reeducação alimentar tenha resultado, são necessários quatro aspectos:

  • regularidade;
  • intensidade;
  • tempo correto;
  • auxílio profissional.

Trazendo para uma visão empresarial, vamos supor que você entrou em uma empresa e seu objetivo é alcançar a liderança.

Se trabalhar sempre abaixo da média, sem a intensidade correta, dificilmente seu objetivo será alcançado.

Já se tiver uma intensidade correta, mas sem uma regularidade, ou seja, trabalhar acima da média apenas de segunda a terça e, nos outros dias da semana, não render o suficiente, dessa forma também não será possível ter o resultado desejado.

Já se faz tudo correto de segunda a sexta com regularidade e intensidade, isso não significa que será promovido na primeira semana. É preciso tempo e paciência para ter o resultado.

Quando colocamos esse cenário, dando como exemplo uma situação relacionada ao trabalho ou outras áreas da sua vida, é muito fácil o conceito ser entendido. Porém, quando se trata de emagrecimento, há uma pressa e as pessoas acreditam que o resultado será de forma imediata, mas, isso não acontece!

Como lidar com os furos na dieta

Para aprender a lidar melhor com os furos na dieta, é necessário acertar alguns aspectos. Assim, você não irá desistir após o primeiro erro.

Ajuste a expectativa

Uma maneira sensata de ajustar sua expectativa é analisar a sua história prévia e não a do outro! Geralmente, nos fixamos no resultado super positivo da pessoa que perdeu 20kg em dois meses, mas isso é incomum.

Portanto, avalie suas últimas tentativas e ajuste suas expectativas em relação à velocidade da perda de peso para que não haja frustrações ou abandono.

Ajuste a dieta

Toda vez que a gente recomeça uma dieta, na maioria das vezes, achamos que não erraremos nunca. Porém, é necessário ajustar essa visão e partir do princípio de que você vai falhar. É preciso ter a consciência que você não precisa ter 100% de aderência para que consiga emagrecer.

Portanto, ajuste sua alimentação pensando que as falhas irão ocorrer que nem todo furo representa uma falha. Em algumas situações, o furo pode ser planejado e consciente e fazer parte da dieta!

Planeje o furo na dieta

É preciso ter em mente que nem todo furo é uma falha. É absolutamente possível abrir exceções de forma planejada e consciente sem que isso prejudique o emagrecimento. O ponto principal aqui é saber que quantidade faz diferença! É impossível ganharmos mais peso do que o peso que você comeu.

Por exemplo, frequentemente escuto dos pacientes que após comerem 100 gramas de chocolate no final de semana, engordaram 1 kg. Percebe que isso não é possível? Caso de fato a balança tenha mostrado esse aumento, ou a pessoa comeu mais que as 100 gramas de chocolate ou ela reteve líquido.

Existem diversas estratégias que ajudam na mudança comportamental e no controle da quantidade durante as exceções (furo na dieta). Em outras postagens, vou explicá-las em detalhes!

Como o Você+ pode te ajudar a lidar com os furos

No programa Você+, voltado para o emagrecimento e manutenção do peso perdido, há um módulo desenvolvido em parceria com a psicóloga Mabel Pereira, que possui formação voltada para o tratamento da obesidade por meio da mudança comportamental.

Nele, são ensinadas estratégias e exercícios de Mindfulness e autoconhecimento para você se reconectar com as sensações de fome e saciedade e se conscientizar dos sentimentos e pensamentos que surgem em relação à comida e ao seu corpo.

Além disso, o objetivo é que você aprenda quais são as melhores estratégias para o emagrecimento e a manutenção do peso perdido, assim como o passo a passo para colocar isso em prática, diminuindo o efeito sanfona tão comum em quem luta contra o excesso de peso.

Quer saber mais sobre o programa e aprender de vez a lidar com os obstáculos para melhorar seu bem-estar? Acesse o você+ e faça sua inscrição!

Quais as Intercorrências do Jejum Intermitente?

O Jejum Intermitente é um dos assuntos mais polêmicos da nutrição. Essa estratégia de emagrecimento tem como estratégia intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação.

Dessa forma, o corpo utiliza os estoques de gordura, ocasionando em uma perda de massa gorda. Além disso, quando passamos a fazê-lo, temos uma sensação de controle maior em relação à alimentação.

Quais os efeitos colaterais do jejum intermitente?

Existem algumas religiões que utilizam o jejum como método espiritual para purificação. Na antiguidade, essa estratégia era utilizada como um remédio muito importante.

Atualmente, é útil principalmente para o controle da insulina e da obesidade. Porém, é possível notar alguns efeitos indesejados  durante o jejum, como:

Queda de cabelo

A queda de cabelo pode ser causada por diversos fatores. Inicialmente, é importante descartar causas hormonais (como alteração  dos hormônios tireoidianos) e deficiência de micronutrientes (como biotina, vitamina B, vitamina D, vitamina A etc.). Na vigência de uma alimentação rica do ponto de vista nutricional, a probabilidade da deficiência de micronutrientes diminui.

Existe uma causa extremamente comum denominada eflúvio telógeno. Nele, o que provoca a queda de cabelo é algum evento estressante e isso inclui além do próprio emagrecimento, qualquer grande mudança na dieta Nesse caso, a queda geralmente começa de três a seis meses após o início da mudança alimentar.

O eflúvio é autolimitado, ou seja, tem uma duração predeterminada de dois a quatro meses, caso não haja outra doença associada

Mau hálito

Dependendo do tempo de jejum, o aparecimento de  mau hálito é comum, sendo causado pela presença de cetonas. É frequente nessas ocasiões a descrição de um gosto metálico na boca e o esbranquiçamento da língua.

A cetona é um subproduto do metabolismo (queima) dos ácidos graxos (gordura). Ou seja, é um sinal indireto de que você está usando gordura como fonte principal de energia.

Para aliviar esses sintomas, você pode beber água e escovar os dentes com mais frequência durante o dia, usar um raspador de língua e gomas de menta para aliviar o mau hálito.

Constipação

A constipação pode ser comum durante períodos de jejum mais prolongados. É importante lembrar que é esperado a diminuição da quantidade e frequência das evacuações, já que a quantidade de alimento ingerido diminui.

Caso apresente concomitantemente desconforto ou dor, existem algumas medidas simples que podem aliviar os sintomas, tais como:

  • melhorar a hidratação;
  • reposição de sal;
  • praticar atividades físicas;
  • uso de citrato de magnésio (em algumas situações).

Insônia

Pessoas que decidem fazer jejuns mais prolongados (a partir de 20 horas), podem sentir insônia durante os primeiros dias. Isso acontece devido ao aumento da liberação de noradrenalina. É comum, inclusive, que ocorra um aumento na frequência cardíaca nesse período. A tendência é que isso se normalize com o tempo.

Medidas simples como desligar aparelhos eletrônicos uma hora antes de dormir, banhos de sal Epsom para ajudar seu corpo a relaxar e o uso de magnésio noturno, podem ajudar em um sono de maior qualidade. Eventualmente, pode ser necessário a diminuição do tempo de jejum.

 Diarreia

Vimos que a constipação pode ocorrer  em quem decide seguir essa estratégia. Porém, algumas pessoas podem ter diarreia nas primeiras semanas. Isso também ocorre para quem segue jejuns mais prolongados. A queda da insulina com a diminuição da retenção hídrica pode ser uma das causas.

Atentar-se a qualidade da alimentação no período alimentado, a reposição de fibras como psyllium e, em alguns casos, a diminuição do tempo de jejum, podem ser medidas efetivas para a diminuição dos sintomas.

Azia

Não sabemos de fato o motivo pelo qual algumas pessoas apresentam azia durante o início da prática de jejum.  Essa sensação ocorre quando o ácido presente em nosso estômago entra em contato com o esôfago devido a um refluxo.

A obesidade aumenta o refluxo gastro-esofágico por conta da grande quantidade de gordura abdominal, que aumenta a pressão no abdômen, facilitando o retorno do suco gástrico.

Sendo o jejum intermitente uma estratégia muito eficaz para o emagrecimento, a tendência é que essa azia melhore com o tempo. Além disso, é necessário tomar alguns cuidados e evitar:

  • álcool;
  • excesso de  cafeína;
  • chocolate.

Remédio Para Emagrecer — Saiba Tudo Sobre Esse Tratamento

A obesidade é uma doença influenciada pelo ambiente em que vivemos (repleto de alimentos ultraprocessados e pouco nutritivos) e por questões comportamentais, hormonais e bioquímicas. Por conta disso, o tratamento com remédio para emagrecer é uma alternativa muitas vezes necessária, útil e que pode ser utilizada de forma temporária ou permanente, dependendo de cada caso.

A indicação do tratamento deve ser feita por um médico, que fará uma avaliação minuciosa do paciente e indicará a forma correta de usar o medicamento e qual o mais adequado.

A obesidade e o tratamento com remédio para emagrecer

A obesidade é uma doença crônica e pode ser recorrente. O corpo tenta o tempo inteiro retornar para o peso máximo que já tivemos, seja aumentando a fome, diminuindo o metabolismo ou ativando o sistema de busca de recompensa na alimentação.

O seu tratamento envolve não somente a perda de peso, mas também a manutenção após o emagrecimento, o que também é válido na indicação do uso de remédios para emagrecer. O mais correto, portanto, seria chamá-los de remédios para tratamento da obesidade.

Muitas pessoas olham para o remédio como um atalho, mas é um pensamento equivocado. O medicamento deve ser associado a uma mudança no estilo de vida, para que os resultados esperados sejam alcançados.

Seu uso sem que haja mudança na qualidade da alimentação e outros ajustes comportamentais,  não traz o melhor resultado e aumenta o risco do efeito sanfona - recuperação do peso perdido — após a interrupção do tratamento.

Da mesma forma, a indicação e acompanhamento médico também são essenciais para o sucesso do tratamento. Embora seguros, os remédios podem apresentar riscos e efeitos indesejados e, por causa disso, o seu uso deve ser feito somente com supervisão médica. Não se automedique.

Quando o tratamento medicamentoso é utilizado em caso de obesidade?

No consultório, costumo usar a analogia do tratamento com remédio para emagrecer com o uso da boia. Conto a história da minha filha de quando ela começou a aprender a nadar.

Essa sempre foi uma preocupação aqui em casa. Aprender a nadar não era uma opção e, sim, uma questão de segurança. Nas primeiras aulas, ainda com meses de vida, lembro que a Alice, minha filha mais velha, dormia no meu colo.

Com o tempo, já acostumada, foi se soltando. Destemida, engoliu água algumas vezes até perceber que não estava pronta para nadar sem boia. E assim foi: primeiro com boia de braço e colete, depois, apenas com o colete.

Quando já estava pronta, começou a nadar sem nenhum auxílio extra. Mas, ainda assim, não se afogar exigia esforço. Mesmo depois de aprender, o uso da boia não foi totalmente descartado.

Quando íamos à praia, ela usava, mesmo dizendo que não precisava e tendo vergonha de utilizá-la. Eu respondia que no mar era diferente e usar a boia era uma ajuda necessária e temporária.

Assim é com os remédios para emagrecer no tratamento da obesidade. Tem pessoas que “não sabem nadar" e precisam usá-los durante a fase de treinamento, aprendendo o que comer e ajustando o ambiente.

Tem pessoas que sabem nadar e sentem-se mal por estarem se afogando. Elas sabem o que precisam comer e quais são os seus principais erros, mas não conseguem mudar e continuam engordando.

Essas pessoas também precisam usar boia (remédio para emagrecer), embora recusem, como a Alice na praia. A vergonha acaba impedindo que se deem conta de que estão no mar revolto e não na piscina. Esse mar seria uma analogia para os problemas emocionais, profissionais ou estresse, por exemplo.

Alguns aprendem a nadar, outros não. Em algum momento o mar fica calmo, em outros, não. Agora, lembre-se que é muito melhor usar boia do que se afogar. Isso não é nenhuma fraqueza.

Uma boia, um medicamento, são apenas uma ajuda. O esforço e a mudança do estilo de vida continuam sendo necessários.

Quais os benefícios do uso de remédios para emagrecer?

Do ponto de vista médico, recorremos a esse tipo de tratamento com  a seguinte finalidade e individualizando sempre o tratamento:

  • para aumentar a magnitude da perda de peso — uma pessoa perderia 10 kg sem o medicamento e, com o medicamento, ela perderia mais peso, como 15 a 20 kg;
  • aumentar o número de respondedores —  aumentar o número de pessoas que conseguem perder mais de 10% do seu peso. Parece pouco, mas a maioria das pessoas não alcança esse número;
  • manutenção do peso perdido —  o medicamento é utilizado também para a manutenção do peso, não apenas para a perda. Por isso, a interrupção do tratamento deve ser também indicada pelo médico.

Os medicamentos para tratar a obesidade ajudam em quais situações?

  • fome emocional – pessoas que comem por ansiedade e depressão;
  • compulsão – em conjunto com a terapia e mudança no estilo de vida;
  • controle da fome e da saciedade – para quem possui muita fome e pouca saciedade que não melhoram com a mudança da qualidade da alimentação;
  • comer noturno – voltado a quem possui a “síndrome do comedor noturno”, ou seja, consome grande parte de suas calorias diárias durante a noite;
  • padrão de beliscar – para quem está sempre ingerindo algum alimento muitas vezes ao dia, sem fazer refeições nutritivas, além do que, na maioria das vezes, são pessoas que têm um desejo acima do normal por alimentos ultraprocessados.

Para quem é indicado o uso de remédio para emagrecer?

Atualmente, temos poucos remédios para emagrecer aprovados com essa finalidade. Entre eles: sibutramina, liraglutida (victoza e saxenda), semaglutida ( Ozempic, Wegovy, Rybelsus) e o orlistat. Outros medicamentos são utilizados de maneira off-label, ou seja, sem indicação de bula

Não são todas as pessoas que precisam e podem ser medicadas. Por isso, é tão importante a avaliação médica.

Existem alguns casos nos quais estão indicados o uso de remédio para emagrecer, como:

  • pessoas com obesidade que não tiveram sucesso em emagrecer apenas com a  mudança isolada do estilo de vida;
  • pessoas com comorbidades associadas ao excesso de peso, como resistência a insulina, pré-diabetes, gordura no fígado ou complicações mecânicas, como dor articular e apneia do sono;
  •  pessoas com ganho progressivo de peso.

Relação Proteína | Energia no controle da fome e saciedade

Mudanças na composição da dieta, mesmo sem restrição de calorias, podem auxiliar muito no controle da fome e saciedade, facilitando o emagrecimento. Existem diversas evidências científicas que sugerem que o aumento do consumo de proteína pode diminuir o apetite e aumentar a saciedade.

Estudos observacionais mostraram que pessoas que consomem mais proteínas tendem a ter menos fome e a comer menos calorias ao longo do dia.

A proteína pode ajudar a aumentar a saciedade, reduzindo a produção do hormônio grelina, que estimula o apetite.

A proteína pode levar mais tempo para ser digerida e absorvida pelo corpo do que outros nutrientes, o que pode prolongar a sensação de saciedade.

A proteína pode ajudar a reduzir os níveis de hormônios que aumentam o apetite, como a grelina, e aumentar os níveis de hormônios que aumentam a saciedade, como o peptídeo YY e o GLP-1. Um estudo descobriu que uma dieta rica em proteínas aumentou significativamente os níveis de peptídeo YY e GLP-1 em comparação com uma dieta rica em carboidratos.

Estudos controlados randomizados mostraram que a adição de proteína à dieta pode levar a uma redução no apetite e na ingestão de calorias naturalmente, facilitando o emagrecimento.

Efeito Sanfona — O Que é e Como Evitar

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, 60,3% da população adulta do Brasil tem excesso de peso. Muito disso porque, nas últimas décadas, ocorreu uma mudança do nosso padrão alimentar.

A enorme variedade, disponibilidade, hiperpalatabilidade (alimentos muito gostosos) e o baixo preço dos ultraprocessados, facilitam o seu consumo. Isso, aliado ao fato de serem pobres em micronutrientes e proteína, contribui ainda mais para o aumento da ingestão calórica e consequente ganho de peso observado nos últimos anos.

A dificuldade de uma estratégia eficaz no longo prazo para o controle da obesidade, faz com que a maior parte das pessoas que tentam emagrecer vivencie o efeito sanfona.

O que é o efeito sanfona?

O efeito sanfona são ciclos de perda e recuperação de peso que uma pessoa passa, quando por algum motivo não consegue manter o peso perdido após uma dieta ou mudança de estilo de vida.

Provavelmente, você já ouviu falar que basta diminuir o consumo de calorias diário que você irá emagrecer continuamente, como se fôssemos capazes de controlar facilmente, de forma voluntária, nosso consumo e gasto calórico.

Porém, essa ideia não leva em consideração que, à medida que vamos emagrecendo, nosso gasto calórico diminui. Assim, o simples fato de continuar restringindo a mesma quantidade de calorias não significa que o resultado será o mesmo e que a velocidade de perda de peso continuará igual.

Em algum momento, inevitavelmente, todos vamos estacionar em um novo peso, o chamado efeito platô.

Alguns estudos demonstram que apenas 10% das pessoas conseguem manter o peso perdido. O mais frequente é que as pessoas percam peso, entrem no efeito platô e depois recuperem o peso perdido. O chamado efeito sanfona!

 O que causa o efeito sanfona

Diversos fatores interferem na recuperação do peso após o emagrecimento, desde alterações hormonais e metabólicas, até questões comportamentais.

Do ponto de vista hormonal e metabólico, em dietas com restrição calórica que não levam em consideração a composição nutricional, principalmente de proteínas e micronutrientes, os estudos apontam algumas consequências após o emagrecimento, como:

  • aumento da fome;
  • diminuição da saciedade;
  • diminuição além do esperado da taxa metabólica basal (quantidade de energia necessária para o funcionamento básico do corpo, como respiração, sono e manutenção das funções  vitais).

A restrição calórica descrita acima leva à diminuição do gasto de energia em um grau que, muitas vezes, é maior do que o esperado.

Esse fenômeno é chamado de termogênese adaptativa ou adaptação metabólica e pode continuar por anos após o equilíbrio energético ser restabelecido com um peso mais baixo. A base mecanicista da adaptação metabólica não é clara, mas pode estar relacionada à redução da atividade tireoidiana, possivelmente como resultado da diminuição da leptina.

É esperado que a taxa metabólica basal diminua com a perda de peso. Por exemplo, o gasto energético basal de uma pessoa com 120 kg tende a ser maior do que o de uma pessoa com 80 kg.

O ponto central é que, dependendo da dieta utilizada para o emagrecimento, o metabolismo diminui além do esperado. Ou seja, ao compararmos o metabolismo de uma pessoa com 80 kg que nunca foi obesa, com uma de 80 kg que pesava 120 kg, a última apresenta um gasto energético menor.

Com isso, se a estratégia alimentar utilizada  para o emagrecimento não levar em consideração a manutenção do peso após o emagrecimento, o efeito sanfona é o destino de 90% das pessoas.

Por exemplo, a quantidade de proteína na dieta, particularmente, é conhecida por influenciar diretamente a taxa metabólica e a fome durante o processo de emagrecimento.

Outro aspecto muito importante é o comportamental. Aliás, esse é um dos grandes trunfos da metodologia proposta no Você+: o desenvolvimento dos 5 níveis do emagrecimento.

A busca pela perda de peso

O que faz a maioria das pessoas querer emagrecer, iniciar uma reeducação alimentar, procurar um nutricionista ou médico não é necessariamente um motivo positivo, um propósito ou objetivo de vida.

Geralmente está associado a uma dor que motiva o início das ações do processo de emagrecimento. É muito comum ouvir em meu consultório:

"Fui discriminada. Me sinto muito feia. Não entro mais em nenhuma roupa. Fiz o diagnóstico de uma doença."

Essas e outras dores, tão fortes e profundas, podem funcionar como incentivo inicialmente. Por mais que não seja um sentimento positivo, essa dor nos move para outro lugar e faz com que possamos agir da melhor maneira possível para que ela não se perpetue ou repita.

Além disso, faz com que mudemos hábitos que antes não sabíamos que existiam. O único problema é que com todo esse estado de atenção e cuidado, essa dor tende a acabar - o que é extremamente positivo - e as pessoas entram no interminável e perigoso ciclo do infinito (oito) - popularmente conhecido como o temido "efeito sanfona".

O que a “dor” significa no contexto do emagrecimento?

Tal efeito tem o seguinte significado no contexto do emagrecimento:

  • a dor do excesso de peso faz com que a pessoa mude seus hábitos e abra mão de muitas coisas, usando inicialmente a força de vontade aflorada por essa dor;
  • após perder uma quantidade de peso que considera significativa, essa dor começa a diminuir ou mesmo acaba;
  • a motivação inicial - ou seja, a dor - não existe mais. Quando a intensidade da dor é reduzida, a motivação para completar e manter as mudanças de hábitos necessárias diminui. Sem dor para guiar a pessoa, os antigos padrões de comportamento gradualmente retornam.

Ao retomar os hábitos antigos, a recuperação de peso ocorre gradualmente. E, antes que a pessoa perceba, a dor está de volta junto com a necessidade de emagrecer novamente.

Por isso que, tão importante quanto solucionar sua dor, é descobrir um propósito e ter uma direção a seguir. Assim, quando essa dor desaparecer, você terá algo extremamente sólido e forte que o fará saber como seguir e, melhor que isso, continuar a persistir.

Como evitar o efeito sanfona e a recuperação do do peso

Para evitar o efeito sanfona, é preciso ter um plano para todo o tratamento da obesidade, que envolve não apenas o emagrecimento, mas também a manutenção do peso perdido.  Algumas estratégias extremamente eficazes nesse processo são:

  • priorizar o consumo de alimentos in natura e evitar alimentos ultraprocessados;
  • aumentar o consumo de proteína na dieta;
  • praticar atividade física regularmente;
  • ajustar o ambiente, evitando a compra de alimentos pouco nutritivos e tendo sempre em mãos o que precisa comer, evitando sair da dieta;
  • identificar e aprimorar aspectos comportamentais e emocionais que podem sabotar o seu processo de emagrecimento;
  • manter o acompanhamento médico e nutricional mesmo após o emagrecimento;
    agradecer por estar no platô e lembrar que a manutenção do peso faz parte do tratamento da obesidade e é um processo ativo. Apenas 10% das pessoas conseguem manter o peso!

Gostou de saber sobre o assunto? Continue acompanhando o blog do Rodrigo Bomeny para mais artigos!

Menopausa engorda?

A menopausa geralmente causa muitas preocupações entre as mulheres. Uma das mais comuns é o medo do ganho de peso. De fato, é bem conhecido que a obesidade e a síndrome metabólica ocorrem em mulheres neste período três vezes mais do que antes da menopausa . 

Mas o ganho de peso está associada à menopausa per se ou à “terapia hormonal”?

O ganho de peso é inevitável ou é o resultado de mudanças hormonais e uma dieta inadequada?

Conforme você envelhece, pode perceber que manter seu peso habitual se torna mais difícil. É relativamente comum as mulheres ganharem peso em torno desse período de transição para a  menopausa (climatério). No entanto, o ganho de peso na menopausa não é inevitável. Você pode reverter o “curso natural” prestando atenção aos hábitos alimentares ​​e levando um estilo de vida ativo.

O que é a menopausa?

A menopausa ocorre 12 meses após o último ciclo menstrual e marca o fim dos ciclos menstruais. É o resultado do esgotamento de folículos nos ovários e do declínio na produção de estrogênio. A menopausa é precedida por um período de pré-menopausa, quando a menstruação ainda é relativamente regular, e um período de 3-12 meses de perimenopausa com menstruação irregular.

Quais são os sintomas iniciais?

Muitos sintomas aflitivos na vida de uma mulher aparecem durante a menopausa, como ondas de calor, distúrbios de humor, distúrbios do sono e infecções recorrentes do trato urogenital. Além disso, muitos problemas metabólicos surgem nesse momento - aumento do peso corporal, resistência à insulina e distúrbios do metabolismo da glicose. Em consequência, aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, osteoporose, doenças cardiovasculares e oncológicas.

A obesidade deve ser vista como um dos mais importantes distúrbios associados à menopausa, sendo não apenas um problema médico, mas também um problema social e econômico.

O que causa o ganho de peso na menopausa?

As alterações hormonais da menopausa podem facilitar mais o acúmulo de gordura em torno do abdômen do que em torno dos quadris e coxas. Mas, alterações hormonais por si só não necessariamente causam ganho de peso na menopausa. O ganho de peso está sim relacionado ao envelhecimento, mas também a fatores genéticos e, principalmente, ao estilo de vida.

Menopausa e a queda do Estrogênio

Os mecanismos do aumento do peso corporal durante a menopausa ainda não estão claramente elucidados. A causa óbvia parece ser a rápida queda nos níveis de estrogênio.  Em estudos com animais, o estrogênio parece ajudar no controle do peso corporal. Com níveis mais baixos de estrogênio, os animais de laboratório tendem a comer mais e a ser menos ativos fisicamente. Estrogênio reduzido também pode diminuir a taxa metabólica basal - a quantidade total de energia gasta pelo corpo para sobreviver.

É possível que a mesma coisa aconteça com as mulheres quando os níveis de estrogênio caem após a menopausa. Algumas evidências sugerem que a terapia hormonal com estrogênio aumenta a taxa metabólica de repouso da mulher e isso poderia ajudar a diminuir o ganho de peso. A falta de estrogênio também pode fazer com que o corpo use menos a glicose (açúcar) no sangue, o que aumentaria o armazenamento de gordura e dificultaria a perda de peso. O hormônio estrogênio nas mulheres são responsáveis ​​pelo acúmulo de gordura no tecido subcutâneo, particularmente nas regiões glútea e femoral.

Menopausa e diminuição da massa muscular

A massa muscular normalmente diminui com a idade, enquanto a gordura aumenta. Perda de massa muscular diminui o seu metabolismo, o que pode tornar mais difícil manter um peso saudável. Durante a menopausa, se você continuar a comer como sempre e não aumentar sua atividade física, provavelmente ganhará peso.

Menopausa e genética

Fatores genéticos também podem desempenhar um papel no ganho de peso na menopausa. Se os seus pais ou outros parentes próximos tem excesso de peso, o seu risco de engordar na menopausa será maior.

Menopausa e estilo de vida

Outros fatores, como falta de exercícios, alimentação rica em alimentos ultraprocessados e falta de sono, também contribuem para o ganho de peso na menopausa. Quando as pessoas não dormem o suficiente, elas tendem a comer mais e, consequentemente, consumir mais calorias.

Como o exercício físico ajuda com o emagrecimento na menopausa?

Embora o fator que mais influencia na perda de peso seja a dieta, quanto mais ativo você for, mais fácil será manter o peso perdido. Uma revisão do National Institutes of Health mostrou que as pessoas que faziam atividade física todos os dias por 10 ou mais minutos, tinham 6 centímetros a menos de cintura em comparação com pessoas que não faziam exercícios. E se exercitar enquanto você está no processo de perder peso - assim como depois de ter perdido - pode ser essencial para a manutenção do peso após o emagrecimento. A pratica de atividade física resistida - musculação - é essencial. É preciso manter a massa muscular com o envelhecimento!

Benefícios do exercício e da perda peso após a menopausa

  • Menor risco de osteoporose
  • Menores riscos de síndrome metabólica, ataque cardíaco e outras doenças cardiovasculares
  • Melhor resistência à insulina
  • Mantém fortes articulações e músculos
  • Alivia a depressão e a ansiedade
  • Melhora a saúde geral
  • Menor risco de câncer de mama invasivo em comparação com mulheres cujo peso permanece estável

Boas escolhas de exercícios após a menopausa:

Que tipos de exercícios podem ajudá-lo a perder e a manter o peso após a menopausa?

  • O treinamento de força, como por exemplo musculação, ajuda a construir massa muscular e melhorar o metabolismo. O treinamento de força também ajuda a manter a massa óssea. O aumento da perda de massa muscular com  com a idade, exige o treinamento de força nos treinos. 
  • Exercício aeróbico de baixo impacto é bom para o coração e os pulmões. Caminhar, por exemplo, é uma das melhores escolhas, porque você pode fazê-lo em qualquer lugar, a qualquer hora. Outros exemplos de exercícios aeróbicos incluem natação, ciclismo, HIIT, tênis e dança. Exercite-se moderadamente por pelo menos 30 minutos, se não todos os dias da semana.
  • Sempre que puder, adicione atividade não programada ao seu dia. Suba escadas, use menos o carro, levante-se com mais freqüência. Seja mais ativa! 

Antes de começar o exercício:

  • Se você hoje é sedentário, crie pequenos objetivos. Algo que não dependa nem da força de vontade e nem da motivação.
  • Converse com seu médico sobre um novo programa de exercícios. Escolha as atividades que você gosta para ficar com seus treinos.
  • Encontre uma amiga ou um grupo que também faça exercícios. Isso ajuda na manutenção da motivação além de gerar comprometimento.
  • Use calçados adequados para a atividade física programada.
  • Não postergue. Escolha uma data de início e comece.

Em uma postagem futura, vou explicar a importância da reposição hormonal adequada e de uma dieta com boa relação proteína | energia na menopausa.

A obesidade é uma doença influenciada pelo ambiente em que vivemos (repleto de alimentos ultraprocessados e pouco nutritivos) e por questões comportamentais, hormonais e bioquímicas. Por conta disso, o tratamento com remédio para emagrecer é uma alternativa muitas vezes necessária, útil e que pode ser utilizada de forma temporária ou permanente, dependendo de cada caso.

A indicação do tratamento deve ser feita por um médico, que fará uma avaliação minuciosa do paciente e indicará a forma correta de usar o medicamento e qual o mais adequado.

Referencia: Prz Menopauzalny. 2017 jun; 16 (2): 61-65.

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